O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá enfrentar maiores obstáculos para aprovar projetos, negociar recursos e proteger seu governo de investigações caso os republicanos percam o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. O alcance do revés dependerá de os democratas conquistarem a Câmara dos Representantes, o Senado ou as duas Casas.
Trump não estará na disputa e uma derrota de seu partido não encerra seu mandato. O resultado, porém, definirá as condições políticas dos dois últimos anos de governo: quanto maior o avanço da oposição, maior poderá ser a necessidade de negociar com adversários.
Segundo a Reuters, os democratas precisam conquistar um saldo de quatro cadeiras em cada Casa para retirar as atuais maiorias republicanas. A perda da Câmara abriria caminho para investigações; a do Senado também atingiria a aprovação de indicados pelo presidente.
Na Câmara, o principal risco para a Casa Branca seria a mudança no comando das comissões. Os democratas passariam a definir prioridades de fiscalização, organizar audiências e emitir intimações para obter documentos e depoimentos.
A Associated Press informou que parlamentares democratas já preparam uma agenda de apurações sobre o governo, os negócios da família presidencial e possíveis abusos na administração. Essas iniciativas dependerão da conquista da maioria e poderão provocar disputas sobre o acesso às informações.
O efeito político pode ir além de eventuais conclusões das investigações. Audiências sucessivas colocariam integrantes do governo sob pressão pública e obrigariam a Casa Branca a dividir esforços entre executar suas políticas e responder ao Congresso.
A possibilidade de impeachment também poderá voltar ao debate. Uma maioria oposicionista, contudo, não seria suficiente para retirar Trump da Presidência. Conforme as regras apresentadas pelo Senado americano, a Câmara aprova a acusação por maioria simples, mas a condenação exige dois terços dos senadores presentes — 67 votos se os cem participarem.
Se o Senado também passar ao controle democrata, Trump encontrará resistência adicional para preencher vagas no governo e no Judiciário. A oposição poderá bloquear indicações e ampliar sua influência nas negociações sobre gastos públicos. O presidente conservará o poder de veto.
O governo procura minimizar esses riscos. Nesta terça-feira (20), o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou, em entrevista à 2Way TV repercutida pela Reuters, que uma Câmara democrata teria capacidade limitada para conter a agenda presidencial. Ele citou os poderes do Executivo sobre tarifas de importação.
Na avaliação política, uma derrota expressiva também poderá estimular republicanos a buscar maior distância de medidas impopulares e antecipar a disputa pela sucessão presidencial de 2028. Esse movimento dependerá da dimensão das perdas e da capacidade de Trump de preservar sua influência sobre a base do partido.
O presidente ainda poderá transformar o confronto com os democratas em instrumento de mobilização, atribuindo à oposição dificuldades de seu governo. A eleição decidirá, assim, quanto espaço Trump terá para impor sua agenda e quanto precisará negociar para
