Brasília, 28/10/2026

Partidos árabes podem decidir governo de Israel

O avanço dos partidos que representam os cidadãos palestinos de Israel pode definir a formação do próximo governo e obrigar a oposição a rever sua relação com essas legendas. Na análise de Julian Borger, publicada pelo The Guardian, Gadi Eisenkot terá de negociar com as lideranças árabes para ampliar suas chances de afastar Benjamin Netanyahu do poder.

As pesquisas de boca de urna projetam entre 17 e 18 cadeiras para os partidos palestinos, ante dez na composição anterior do Knesset. Ao mesmo tempo, indicam que nem o bloco de Eisenkot nem o de Netanyahu alcançaria os 61 assentos necessários para obter maioria no Parlamento de 120 lugares. Os números ainda dependem da apuração.

O crescimento dessas bancadas aumenta seu poder de negociação. Para Borger, a oposição enfrenta uma escolha: aceitar a cooperação com os representantes árabes ou permitir que o impasse favoreça a sobrevivência política de Netanyahu, que permaneceria à frente de um governo interino durante as negociações.

O interlocutor mais acessível seria Mansour Abbas, líder do Ra’am, partido que já participou de uma coalizão comandada por Naftali Bennett. Entretanto, suas sete cadeiras projetadas poderiam ser insuficientes para assegurar maioria ao bloco de Eisenkot.

Uma negociação com a Lista Conjunta seria mais difícil. Eisenkot estabeleceu condições que incluem o reconhecimento de Israel como Estado judeu e democrático, a aceitação do serviço militar obrigatório para cidadãos árabes e a condenação do Hamas como organização terrorista. Lideranças da Lista rejeitam condições prévias e reivindicam uma negociação em igualdade.

Sem acordo, Eisenkot poderia tentar um governo minoritário, sustentado por entendimentos pontuais no Parlamento. Na avaliação do Guardian, essa alternativa seria instável e aumentaria a possibilidade de outra eleição, oferecendo a Netanyahu uma oportunidade de reorganizar sua base.

A conclusão de Borger é que o futuro político de Israel dependerá também da disposição da oposição para superar a exclusão dos partidos árabes. Caso Netanyahu consiga permanecer no poder, sua sobrevivência poderá decorrer da incapacidade dos adversários de construir essa aliança.

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