Brasília, 04/11/2026

Trump perde as duas Casas do Congresso

Democratas avançam em redutos republicanos, como Texas e Kansas, e ganham poder para investigar o governo e barrar indicações da Casa Branca.

Donald Trump perdeu a maioria republicana na Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. As projeções da Associated Press desta quarta-feira (4) já dão aos democratas o controle das duas Casas, embora a apuração de algumas disputas ainda estivesse em andamento. A oposição tomou dos republicanos pelo menos sete cadeiras no Senado e mais de duas dúzias de distritos na Câmara.

A dimensão da derrota aparece no mapa. No Texas, o democrata James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump, e se tornou o primeiro democrata eleito para o Senado pelo estado em 38 anos. O partido também conquistou o governo texano, derrotando Greg Abbott, que buscava o quarto mandato. No Kansas, os democratas elegeram seu primeiro senador em quase um século. Na Carolina do Sul, venceram num estado que Trump havia conquistado por quase 18 pontos em 2024.

Onde Trump perdeu terreno

Os republicanos recuaram em quase todos os cerca de 1.700 condados em que a maior parte dos votos já havia sido contada na noite de terça-feira (3), segundo levantamento da Reuters e do USA Today. O avanço democrata alcançou condados ricos e pobres e foi particularmente forte em áreas de população latina numerosa, entre elas comunidades da fronteira do Texas que haviam se aproximado de Trump em 2024.  

O custo de vida esteve no centro da campanha democrata. O partido atribuiu às tarifas de Trump e à guerra com o Irã parte da pressão sobre os preços e explorou suspeitas de corrupção no governo. Os republicanos tentaram deslocar a disputa para temas como os direitos de pessoas trans, mas as pesquisas registraram maior preocupação dos eleitores com o orçamento doméstico. Em pesquisa eleitoral da SSRS, divulgada pela Reuters, cerca de metade dos entrevistados disse ver a eleição como uma oportunidade de repreender Trump, e 70% defenderam que o Congresso exerça maior controle sobre o presidente.

Trump havia pedido aos apoiadores, na reta final, que votassem como se ele próprio estivesse na cédula. Quando a perda das maiorias se desenhou, escreveu nas redes sociais que teria vencido com ampla vantagem se fosse candidato. Depois, em entrevista à Fox News, parabenizou os democratas, disse que poderia negociar com eles em temas como imigração e sinalizou que usaria o veto presidencial.

O que muda em janeiro

Com a posse do novo Congresso, os democratas passam a comandar comissões e podem abrir investigações, convocar autoridades e exigir documentos. No Senado, terão poder para travar indicações de Trump para cargos do governo e para o Judiciário, inclusive para a Suprema Corte caso surja uma vaga. A Casa Branca conserva o poder de veto, e as negociações sobre o financiamento do governo serão um dos primeiros testes da nova correlação de forças.

A derrota também antecipa a disputa republicana pela sucessão de 2028. Trump fez da eleição um teste da própria capacidade de mobilizar o eleitorado que o levou de volta à Casa Branca. O resultado em estados como Texas e Carolina do Sul dá aos candidatos à sucessão um motivo para rever quanto da estratégia presidencial pretendem carregar para a próxima campanha.

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