O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, avalia deixar o governo Donald Trump após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (5) pela Bloomberg. O Departamento de Estado negou a informação e afirmou que o chefe da diplomacia americana continuará no governo.
De acordo com a agência, Rubio e seus assessores discutem alternativas para seu futuro, mas não há decisão nem prazo para uma eventual saída. Fontes ouvidas sob anonimato afirmaram que ele conversou com autoridades da Casa Branca sobre a possibilidade de afastamento e recebeu pedidos para permanecer. Rubio também ocupa o cargo de conselheiro de segurança nacional.
A reação oficial foi enfática. Dylan Johnson, secretário adjunto de Estado para Assuntos Públicos Globais, classificou a reportagem como falsa e sustentou que Rubio não discutiu deixar suas funções. O portal americano AL.com também registrou a negativa e destacou que nenhuma candidatura presidencial foi anunciada pelo secretário.
A cobertura americana, portanto, confirma a existência da reportagem sobre as discussões internas, mas não uma saída acertada. Parte das notícias publicadas nos Estados Unidos reproduz a apuração da Bloomberg, sem apresentar confirmação independente das conversas atribuídas a Rubio.
O possível afastamento ocorre em um momento de enfraquecimento político de Trump. A conquista da Câmara dos Representantes e do Senado pelos democratas amplia a capacidade da oposição de fiscalizar o Executivo e dificulta a condução dos dois últimos anos do mandato.
Segundo a Bloomberg, os democratas pretendem investigar iniciativas que envolveram Rubio, entre elas os ataques a embarcações classificadas pelo governo como suspeitas de transportar drogas no Caribe e a política americana para a Venezuela. Uma troca no Departamento de Estado antes da mudança do Congresso permitiria a Trump tentar aprovar um sucessor no Senado ainda sob controle republicano. A Câmara não participa dessa confirmação.
O futuro de Rubio também se cruza com a disputa pela sucessão de Trump. Ex-senador pela Flórida e adversário do presidente nas primárias republicanas de 2016, ele passou a integrar o núcleo de confiança do governo e aparece entre os nomes mencionados para a corrida presidencial de 2028.
O vice-presidente JD Vance, porém, pesa nesse cálculo. Segundo o AL.com, que cita a Bloomberg, pessoas próximas a Rubio dizem que ele pode evitar uma disputa interna caso Vance concorra. Outra possibilidade mencionada é o retorno ao setor privado, deixando uma eventual candidatura presidencial para depois de 2028.
Até o momento, permanecem duas versões conflitantes: fontes da Bloomberg descrevem uma avaliação sobre a saída, enquanto o Departamento de Estado nega que essa discussão tenha ocorrido. Não há anúncio de renúncia nem calendário para uma mudança no comando da diplomacia americana.

