Brasília, 18/06/2026

ACM Neto e aliados evitam comentar operação da PF que atinge Jaques Wagner

247 – A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), provocou forte repercussão nos bastidores da política baiana, mas foi recebida com silêncio público por parte dos principais adversários do senador Jaques Wagner (PT-BA). As buscas realizadas em endereços ligados ao parlamentar ocorreram em um momento de intensa movimentação pré-eleitoral no estado.

Segundo informações publicadas pelo SBT News, lideranças que disputam espaço político com Wagner na Bahia evitaram manifestações públicas sobre a investigação nas horas seguintes à operação. O comportamento chamou atenção especialmente diante da relevância do senador no cenário político estadual e nacional.

Entre os que optaram por não comentar o caso está o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), principal nome da oposição ao grupo petista na disputa pelo governo da Bahia. Até a tarde desta quinta-feira, ele não havia feito publicações em suas redes sociais nem emitido declarações sobre a ação da Polícia Federal.

Acordo informal nos bastidores

Nos bastidores da política baiana, integrantes do PT e aliados de ACM Neto relataram, sob condição de anonimato, a existência de um entendimento informal para que o chamado caso Master não seja explorado durante a campanha eleitoral.

A avaliação compartilhada por integrantes dos dois campos políticos é que o avanço das investigações poderia atingir personagens de diferentes grupos, tornando contraproducente uma escalada de acusações públicas entre adversários.

O receio é que uma troca de ataques durante o período eleitoral acabe ampliando o alcance das investigações no debate público e exponha figuras centrais dos dois blocos que dominam a política da Bahia nas últimas décadas.

Relação com o Banco Master

A cautela em torno do tema ganhou força após revelações envolvendo o Banco Master. Em março deste ano, o jornal O Globo informou que uma empresa ligada a ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag Investimentos.

Na ocasião, o ex-prefeito confirmou a existência dos contratos, afirmando que sua empresa foi contratada para prestar serviços de consultoria às duas instituições financeiras.

ACM Neto também declarou que não houve qualquer irregularidade nos acordos firmados e sustentou que os contratos foram encerrados após a conclusão dos trabalhos contratados.

Outros adversários também evitam o tema

O silêncio não se restringiu ao ex-prefeito de Salvador. Outros potenciais adversários de Jaques Wagner na disputa por uma vaga ao Senado também evitaram abordar o assunto publicamente.

Até o início da tarde desta quinta-feira, o senador Ângelo Coronel (Republicanos-BA) e o ex-ministro João Roma (PL-BA) não haviam se pronunciado sobre a nova etapa da Operação Compliance Zero.

Coronel integrou a base política de Wagner até o fim de 2025, quando deixou de ser o nome apoiado pelo grupo petista para a disputa da reeleição ao Senado.

Disputa pelo Senado na Bahia

O PT definiu que as duas vagas da chapa governista ao Senado serão ocupadas por Jaques Wagner e pelo ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, ex-governador da Bahia e uma das principais lideranças do partido no estado.

A decisão alterou o cenário político local e contribuiu para o afastamento entre Coronel e o grupo liderado pelos petistas.

Já João Roma aparece em informações de bastidores como alguém que mantém proximidade com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e proprietário do Banco Pleno, instituição que figura entre os alvos da operação realizada nesta quinta-feira.

Senador ainda não se pronunciou

Até a publicação das informações, Jaques Wagner não havia se manifestado publicamente sobre a operação da Polícia Federal nem sobre as buscas realizadas em endereços ligados a ele.

O episódio adiciona um novo elemento ao cenário político da Bahia, que se prepara para uma disputa eleitoral marcada pela polarização entre o grupo liderado pelo PT, no poder estadual desde 2007, e a oposição comandada por ACM Neto.

Enquanto a investigação avança, lideranças dos principais campos políticos do estado adotam uma postura de cautela, evitando transformar o tema em instrumento de confronto público neste momento.

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