Brasília, 17/08/2026

Casas Bahia afunda em dívidas de R$ 17,3 bilhões e corta 11,6 mil empregos

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para tentar reorganizar uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões, depois de anos de dificuldades financeiras que levaram ao fechamento de centenas de lojas e à demissão de milhares de funcionários. As informações são do g1, que teve acesso ao pedido apresentado pela companhia.

A situação se agravou em agosto, quando o grupo fechou quase 300 lojas e demitiu cerca de 3 mil funcionários. Os cortes fazem parte de uma nova etapa de um processo de reestruturação iniciado em 2023 e que, até agora, já resultou na eliminação de aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e no encerramento de cerca de 355 lojas.

No pedido apresentado à Justiça, a Casas Bahia afirma que atravessa a pior crise financeira de sua história, mas sustenta que a empresa continua viável. A recuperação judicial, segundo a companhia, é necessária para reorganizar as dívidas, reduzir a pressão sobre o caixa e criar condições para manter as operações.

O principal objetivo do mecanismo é permitir que uma empresa em dificuldade financeira renegocie suas dívidas sob supervisão da Justiça, evitando que a falta de recursos provoque a paralisação das atividades ou leve à falência. Durante o processo, a empresa apresenta um plano para reorganizar suas obrigações e continuar funcionando.

No caso da Casas Bahia, o pedido envolve a própria companhia e outras nove empresas do grupo. A intenção é negociar os cerca de R$ 17,3 bilhões em débitos e preservar as operações das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda.

A crise, segundo a empresa, tem várias causas. Entre elas estão os juros elevados, que aumentam o custo das dívidas e dificultam o acesso ao crédito; a queda no consumo de bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis; o aumento da inadimplência dos consumidores; e as dificuldades enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A transformação do comércio, com o crescimento das vendas digitais, também exigiu mudanças na estrutura da companhia.

A primeira grande tentativa de reação ocorreu em 2023, com a criação do chamado Plano de Transformação. A empresa fechou 55 lojas consideradas deficitárias, reduziu aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho, diminuiu estoques, cortou investimentos e fez ajustes nos centros de distribuição numa tentativa de reduzir despesas e melhorar a geração de caixa.

Em 2024, a Casas Bahia conseguiu renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial. Naquele momento, a empresa apostava que a reorganização financeira, combinada com uma eventual queda dos juros e a retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar suas contas.

O cenário, porém, permaneceu desfavorável. O custo da dívida continuou pesando sobre o caixa e levou a companhia a adotar novas medidas de redução de despesas em 2026. Foi nesse contexto que ocorreram os cortes mais recentes, com o fechamento de quase 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários somente em agosto.

Somando as duas etapas da reestruturação, iniciadas em 2023 e ampliadas em 2026, o grupo fechou aproximadamente 355 lojas e eliminou cerca de 11,6 mil empregos.

Apesar do tamanho dos cortes, a Casas Bahia ainda mantém uma estrutura significativa. Segundo o g1, o grupo continua empregando mais de 20 mil pessoas e possui mais de 700 lojas físicas em funcionamento, além de sua operação de comércio eletrônico.

A companhia afirma que a recuperação judicial não significa o encerramento das atividades. Ao contrário, a intenção é utilizar o processo para reorganizar as finanças e garantir a continuidade dos negócios enquanto as dívidas são renegociadas.

O pedido foi feito em caráter de urgência, mas ainda precisa ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. A partir da recuperação judicial, a empresa deverá apresentar as condições para reorganizar seus compromissos financeiros e demonstrar como pretende recuperar o equilíbrio econômico.

Para a Casas Bahia, portanto, o processo representa uma nova tentativa de superar uma crise que começou a ser enfrentada há três anos, mas que resistiu aos cortes de custos, ao fechamento de lojas e à renegociação de bilhões de reais em dívidas.

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