A governadora Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) disputarão o segundo turno da eleição para o Governo do Distrito Federal em 25 de outubro. Com todas as urnas apuradas neste domingo (4), Celina recebeu 49,93% dos votos válidos, enquanto Grass obteve 34,47%. A governadora ficou apenas 0,07 ponto percentual abaixo dos 50%, patamar que precisaria superar para encerrar a disputa.
Celina conquistou 825.530 votos, contra 569.930 de Grass. Os números publicados pelo Brasil de Fato, com base na apuração eleitoral, mostram uma diferença de 255.600 votos entre os dois. Celina concorre com Gustavo Rocha (Republicanos) como vice; Grass tem Dora Gomes (PV) na chapa.
A terceira colocada, Paula Belmonte (PSDB), terminou com 8,51%. Kiko Caputo (Novo) recebeu 4,36%, seguido por Ricardo Cappelli (PSB), com 2,23%. Na totalização divulgada pelo SBT News, a abstenção chegou a 18,99%; os votos em branco representaram 4,11%, e os nulos, 4,95%. Brancos e nulos ficam fora do cálculo que determina a vitória para governador.
O resultado permite a Grass superar a barreira que o derrotou há quatro anos. Segundo a totalização do Tribunal Superior Eleitoral de 2022, Ibaneis Rocha (MDB) venceu naquele primeiro turno com 50,30%, enquanto Grass, então no PV, recebeu 26,25%. Agora, o petista cresceu 8,22 pontos percentuais e acrescentou 135.343 votos ao desempenho anterior.
Celina entra na nova etapa com vantagem expressiva, mas terá de disputar novamente o eleitorado. Grass ganha três semanas para tentar ampliar sua base e reunir votos de adversários eliminados. A soma dos percentuais de Paula, Kiko e Cappelli alcança 15,10 pontos — dimensão que ajuda a explicar a importância das negociações, embora o apoio de um candidato não transfira automaticamente os votos de seus eleitores.
A campanha também terá dois campos nacionais bem definidos. Conforme relatou a Folha de S.Paulo, Celina conta com Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves, enquanto Grass tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A eleição de Michelle e Bia para o Senado fortalece o grupo da governadora e oferece duas aliadas com votação expressiva para a nova campanha.
A saída de José Roberto Arruda também marcou a disputa. O TSE rejeitou sua candidatura em 24 de setembro, em razão de condenações por improbidade relacionadas à Operação Caixa de Pandora. A retirada de um concorrente que aparecia entre os principais candidatos alterou a configuração da corrida.
Outro assunto que atravessará o segundo turno é a crise do BRB após as operações com o Banco Master. Celina busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito para recompor o caixa do banco. A governadora afirma que não participou da operação BRB-Master e que sempre foi contrária ao negócio.



