Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram eleitas senadoras pelo Distrito Federal neste domingo (4). Com todas as seções apuradas, Michelle recebeu 938.496 votos e Bia, 886.616. A vitória da dupla impediu a reeleição de Leila Barros (PDT) e deixou Erika Kokay (PT) fora do Senado.
Os totais apresentados pelo g1 correspondem, na apuração com duas casas decimais divulgada pelo UOL, a 29,05% para Michelle e 27,44% para Bia. Leila terminou em terceiro, com 21,25%, seguida por Erika, com 18,91%. Bia abriu uma vantagem de 6,19 pontos percentuais sobre a senadora que tentava renovar o mandato.
A partir de fevereiro de 2027, as duas se juntarão a Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022 e com mandato até 2031. Segundo a Agência Senado, o DF terá a primeira bancada estadual inteiramente feminina da história da Casa. As três representantes também pertencem ao campo conservador e são aliadas da família Bolsonaro.
Michelle e Bia ocuparão as cadeiras cujos mandatos atuais, de Leila Barros e Izalci Lucas, terminam no início de 2027. Conforme explicou o Congresso em Foco, as novas senadoras terão mandatos de oito anos, até 2035. As quatro primeiras posições da eleição do DF foram ocupadas por mulheres.
A votação também estabeleceu um marco numérico. Michelle e Bia superaram o recorde de votos para o Senado pelo Distrito Federal desde a redemocratização. A comparação histórica exige considerar o crescimento do eleitorado e a alternância entre eleições com uma ou duas vagas.
Neste ano, cada eleitor pôde escolher dois candidatos diferentes ao Senado. Por isso, os percentuais representam a participação de cada concorrente no conjunto de votos válidos para o cargo, e não a proporção de eleitores que votou nele. As duas mais votadas são eleitas diretamente, sem segundo turno e sem necessidade de ultrapassar 50%.
Para Michelle, natural de Ceilândia, será o primeiro mandato eletivo. Conforme o perfil publicado pelo g1, a ex-primeira-dama tornou-se uma das apostas do PL para ampliar a aproximação com o público feminino. Sua candidatura chegou a ser colocada em dúvida durante a crise com Flávio Bolsonaro, mas ela declarou em agosto que o episódio era “página virada”.
Michelle havia assumido a presidência do PL Mulher em 2023 e ganhou projeção nas articulações do partido pelo país. Durante a campanha, destacou pautas conservadoras, defesa da família e valores cristãos. Seu primeiro suplente é o irmão Diego Torres (PL), e o segundo, Cristian Viana (Podemos).
Bia chega ao Senado depois de dois mandatos consecutivos como deputada federal. Advogada formada pela Universidade de Brasília e subprocuradora-geral aposentada do DF, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e comanda o PL distrital. O g1 destacou que ela apareceu empatada com Leila na segunda posição das pesquisas apenas na última semana da campanha.
A vitória dá ao PL as duas cadeiras em disputa e amplia a presença do partido na representação do DF. Também oferece reforço político a Celina Leão: Michelle e Bia fizeram campanha pela governadora, que agora enfrentará Leandro Grass no segundo turno. O êxito das duas ao Senado, contudo, não encerrou a disputa pelo Buriti, que terá uma nova votação em 25 de outubro.


