Mais de 200 políticos eleitos de direita e de centro lançaram um movimento pela realização de uma primária aberta destinada a escolher um único candidato para a eleição presidencial francesa de 2027. O grupo teme que a divisão do bloco provoque sua eliminação já no primeiro turno.
Segundo reportagem do jornal Le Monde, com informações da Agência France-Presse (AFP), a proposta foi apresentada em artigo publicado no Le Figaro. Entre os signatários estão o centrista Hervé Morin, a ex-ministra Véronique Louwagie e o prefeito de La Baule-Escoublac, Franck Louvrier, ambos ligados ao partido Os Republicanos.
Atualmente, quatro nomes disputam o espaço da direita e do centro: os ex-primeiros-ministros Édouard Philippe e Gabriel Attal, o dirigente conservador Bruno Retailleau e David Lisnard, presidente da Associação de Prefeitos da França.
Os defensores da primária avaliam que a multiplicidade de candidaturas fragmentaria os votos e poderia produzir um segundo turno entre Marine Le Pen, da Reunião Nacional, e Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa. Esse cenário aparece como possibilidade nas pesquisas eleitorais mais recentes.
No manifesto, os signatários acusam os candidatos de adotarem um discurso contraditório: todos falam em união, mas esperam que as pesquisas e as urnas definam quem deve abandonar a disputa.
Para o grupo, os levantamentos realizados meses antes da eleição não oferecem segurança suficiente para determinar o candidato mais competitivo. Os apoiadores da iniciativa lembram que os favoritos do segundo semestre raramente são os vencedores na primavera seguinte, quando tradicionalmente ocorre a eleição presidencial francesa.
A proposta prevê que a primária seja organizada ainda durante o outono europeu. Poderiam participar candidatos de direita e de centro dispostos a assinar uma carta de princípios comuns, incluindo defesa da economia de mercado, compromisso com a integração europeia e controle da imigração.
Cada concorrente também precisaria obter o apoio de 300 prefeitos distribuídos por pelo menos 30 departamentos, com limite de 30 adesões em cada um deles. A exigência pretende demonstrar que os participantes possuem representação territorial e alguma estrutura política nacional.
Hervé Morin afirmou ao Le Figaro que nenhum dos atuais candidatos conseguiu criar força eleitoral suficiente para afastar o risco de uma derrota do bloco. Ele considera que a direita e o centro caminham para uma “catástrofe” caso mantenham várias candidaturas.
Bruno Retailleau declarou à emissora BFM-TV que não se opõe, em princípio, à realização da primária. Ele responsabilizou Édouard Philippe e Gabriel Attal pela resistência à proposta.
Além do manifesto, os organizadores lançaram uma petição para pressionar os quatro candidatos. Aqueles que recusarem o processo, segundo os signatários, deverão explicar aos eleitores por que preferem manter uma disputa fragmentada.
A iniciativa revela o temor crescente de que o centro e a direita tradicional sejam comprimidos pelos dois extremos do cenário político francês. Mais do que escolher um candidato, a primária seria uma tentativa de preservar a presença desse bloco no segundo turno da eleição de 2027.

