Brasília, 10/10/2026

 Douglas Ruas é eleito no Rio após anulação dos votos de Garotinho

Douglas Ruas (PL) foi declarado eleito governador do Rio de Janeiro neste sábado (10), depois que a Justiça Eleitoral recalculou o resultado do primeiro turno e anulou os 274.411 votos de Anthony Garotinho (Republicanos). Segundo o UOL,   Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, encerrando a disputa sem segundo turno contra Eduardo Paes (PSD).

A votação de Ruas permaneceu em 4.271.199 votos. Paes, que recebeu 3.706.984, passou de 42,76% para 44,16%. A alteração ocorreu porque os votos de Garotinho foram retirados da base usada para calcular os percentuais.

A retotalização foi necessária após o Tribunal Superior Eleitoral negar, na quinta-feira (8), o registro de candidatura do ex-governador. Conforme o SBT News,  Garotinho disputou a eleição sub judice, enquanto aguardava uma decisão definitiva sobre sua situação eleitoral. O impedimento decorre de uma condenação por improbidade administrativa proferida em 2018.

Terceiro colocado, Garotinho havia obtido 3,17% dos votos. Com a anulação, esses votos não foram transferidos a outro candidato: passaram a ser considerados nulos. O procedimento também não representa uma nova apuração das urnas, mas a atualização do resultado conforme a decisão judicial.

Paes contestou a exclusão dos votos e tentou assegurar a realização do segundo turno. Segundo o UOL, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou o pedido porque ainda não estavam esgotadas as possibilidades de recurso no próprio TSE. O candidato do PSD reconheceu a derrota, embora tenha criticado a decisão.

Aos 37 anos, Ruas chega ao Palácio Guanabara depois de atuar como deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e secretário estadual das Cidades na gestão de Cláudio Castro. Sua vitória ocorre em um estado marcado por sucessivas crises judiciais envolvendo ocupantes do governo. 

Histórico triste

Desde 2016, cinco ex-governadores fluminenses passaram pela prisão: Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Moreira Franco. O levantamento da Agência Brasil,  publicado em 2019, registrou essa sequência em apenas três anos. Os processos, porém, tiveram desfechos distintos, incluindo absolvições e anulações.

Garotinho, governador entre 1999 e 2002, foi preso preventivamente em investigações sobre fraudes eleitorais e desvios de recursos em Campos dos Goytacazes. Conforme retrospectiva da Folha de S.Paulo,  os processos que motivaram essas prisões acabaram anulados. A condenação por improbidade que impediu sua candidatura em 2026 pertence a outro processo.

Rosinha, que governou o estado entre 2003 e 2006, também sofreu prisões preventivas por suspeitas relacionadas à administração de Campos, onde foi prefeita. Segundo a Folha, os processos responsáveis por essas detenções foram posteriormente anulados.

Sérgio Cabral, governador de 2007 a 2014, foi preso em novembro de 2016 em investigações sobre cobrança de propina em contratos públicos. Acumulou condenações e permaneceu mais de seis anos na cadeia. Conforme o STF,  a Segunda Turma revogou sua última prisão preventiva em dezembro de 2022; a decisão não representou absolvição das acusações.

Pezão foi preso em novembro de 2018, quando ainda exercia o governo, sob acusação de participar do esquema atribuído a Cabral. Segundo a Folha, ficou aproximadamente um ano detido e foi posteriormente absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região no processo que motivou a prisão.

Moreira Franco, governador entre 1987 e 1991, foi detido em março de 2019 em uma investigação sobre supostos desvios na construção de Angra 3. Conforme a mesma retrospectiva, foi solto quatro dias depois; decisões do processo foram anuladas e a acusação acabou arquivada.

A crise também atingiu Wilson Witzel, eleito em 2018. Afastado em agosto de 2020 sob suspeita de irregularidades em contratos da saúde, perdeu definitivamente o cargo em abril de 2021. Segundo a Assembleia Legislativa,  o Tribunal Especial Misto aprovou seu impeachment por unanimidade, abrindo caminho para a efetivação do vice Cláudio Castro.

Castro, por sua vez, renunciou em março de 2026, na véspera de ser condenado pela Justiça Eleitoral. Conforme o TSE,  a Corte reconheceu abuso de poder político e econômico na eleição de 2022, em um caso envolvendo o uso eleitoral da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A decisão o tornou inelegível até 2030.

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