Brasília, 10/10/2026

PF aponta interferência de Ibaneis na compra do Master pelo BRB

O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) atuou diretamente para viabilizar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), segundo relatórios da Polícia Federal divulgados pela CNN. A investigação aponta participação em decisões estratégicas e operacionais do banco público. A defesa nega interferência.

De acordo com a CNN, os investigadores afirmam que Ibaneis autorizou aumento de capital, articulou com agentes privados e validou decisões relevantes para a operação. Para a PF, sua atuação ultrapassou as atribuições institucionais do cargo e concentrou decisões sobre a condução do BRB.

A análise se baseia em mensagens recuperadas entre Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco distrital, e Daniel Vorcaro, dono do Master. Segundo a reportagem, ambos estão presos na Papudinha, em Brasília.

Na avaliação dos investigadores, decisões estratégicas eram submetidas previamente ao então governador. A PF considera que esse processo alinhou a estrutura decisória do banco a interesses específicos, em prejuízo dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público.

O relatório acrescenta elementos sobre a preparação do negócio. Conforme o Metrópoles, metropoles.com o documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em 28 de setembro e teve o sigilo retirado na sexta-feira, 9 de outubro.

As conversas analisadas remontam a outubro de 2024. Naquele período, segundo o Metrópoles, Paulo Henrique Costa discutia com Vorcaro a integração das instituições e a comunicação ao mercado, em meio a tratativas para um aumento de capital de R$ 750 milhões no BRB. Para os investigadores, as mensagens indicam preparação antecipada da estratégia de aquisição.

Outro episódio descrito no relatório é um encontro de Ibaneis, Vorcaro e Paulo Henrique Costa em Zurique, na Suíça, em 23 de janeiro de 2025. De acordo com o Metrópoles, a PF trata a reunião como marco inicial do processo de compra. Mensagens do então presidente do BRB indicavam que o governador havia pedido o agendamento.

A aquisição, porém, não foi concluída. Conforme noticiou a Agência Brasil, Agência Brasil o Banco Central rejeitou em setembro de 2025 o pedido apresentado pelo BRB. A proposta previa a compra de 49% das ações ordinárias, que dão direito a voto, e de 100% das ações preferenciais do Master.

Em resposta à CNN, a defesa de Ibaneis afirmou que o ex-governador não pressionou o BRB nem interferiu em suas operações. Os advogados sustentam que Paulo Henrique Costa tinha autonomia para negociar em nome da instituição.

A defesa também argumenta que os contatos entre o governador e o presidente do banco ocorreram dentro da relação institucional entre os cargos. Ressalta ainda que Ibaneis não aparece como interlocutor direto de Vorcaro nas mensagens e que seu nome é mencionado apenas quatro vezes no relatório — elementos que, na avaliação dos advogados, não permitem atribuir responsabilidade ao ex-governador.

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