A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, assumirá o comando do país em um momento em que a economia apresenta fundamentos considerados sólidos em relação à média da América Latina, mas ainda convive com os efeitos de anos de instabilidade política, mudanças frequentes de governo e crescente preocupação com a segurança pública.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia peruana deverá manter crescimento moderado em 2026, sustentada por políticas macroeconômicas consideradas responsáveis, inflação sob controle e um sistema financeiro sólido. Em sua mais recente avaliação sobre o país, o organismo destaca que o Peru continua sendo uma das economias mais estáveis da região, embora ressalte que a continuidade das reformas será fundamental para preservar esse desempenho.
Dados do Instituto Nacional de Estatística e Informática (INEI) mostram que a atividade econômica voltou a ganhar força nos últimos meses, impulsionada principalmente pelos setores de comércio, construção, serviços e manufatura. Segundo reportagem da Reuters, os números superaram as expectativas do mercado, reforçando a percepção de recuperação gradual da economia peruana.
A mineração permanece como o principal pilar da economia nacional. O Peru está entre os maiores produtores mundiais de cobre, prata, zinco e ouro, enquanto a China continua sendo seu principal parceiro comercial. De acordo com o Ministério de Comércio Exterior e Turismo (MINCETUR), as exportações minerais continuam respondendo por parcela significativa da receita cambial do país, contribuindo para o equilíbrio das contas externas.
Outro fator apontado como positivo é a situação fiscal. Em seu relatório mais recente, o FMI destaca que o Peru mantém uma das menores relações entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, além de registrar histórico de responsabilidade fiscal, característica considerada um diferencial em relação a diversos países da região.
A inflação também voltou a níveis considerados confortáveis. O Banco Central de Reserva do Peru (BCRP) avalia que a alta dos preços permanece dentro da meta estabelecida pela autoridade monetária, permitindo a manutenção de uma política econômica voltada ao crescimento sem comprometer a estabilidade financeira.
Apesar dos indicadores positivos, especialistas alertam que os desafios do novo governo vão muito além da economia. A Reuters destaca que investidores acompanham com atenção o cenário político peruano, marcado por sucessivos confrontos entre o Executivo e o Congresso, fator que nos últimos anos atrasou investimentos e reduziu a confiança empresarial.
Essa avaliação é compartilhada pelo FMI, que considera a instabilidade institucional um dos principais riscos para o crescimento de longo prazo. Segundo o organismo, preservar a disciplina fiscal será importante, mas o avanço de reformas capazes de fortalecer as instituições públicas, melhorar a produtividade e ampliar a segurança jurídica será decisivo para aumentar o potencial de crescimento do país.
A agência de classificação de risco Moody’s Ratings também avalia que um ambiente político mais previsível poderá estimular novos investimentos privados, especialmente nos setores de mineração, infraestrutura e energia. A instituição ressalta, contudo, que a forte polarização política continuará representando um desafio para qualquer governo que assumir o comando do país.
Outro problema que preocupa empresários e organismos internacionais é o aumento da criminalidade organizada. Nos últimos anos, o avanço de quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas, à mineração ilegal e à extorsão passou a afetar diversas regiões do Peru, elevando os custos das empresas e reduzindo a percepção de segurança para novos investimentos, segundo análises publicadas pela Reuters e pela imprensa econômica peruana.
Embora os fundamentos macroeconômicos permaneçam sólidos, o Banco Mundial observa que o país ainda enfrenta importantes desafios sociais. A redução da pobreza avançou após a pandemia, mas milhões de peruanos continuam vivendo em situação de vulnerabilidade, especialmente nas regiões andinas e amazônicas, onde o acesso a serviços públicos e infraestrutura permanece limitado.
Analistas avaliam que Keiko Fujimori encontrará uma economia relativamente organizada, porém um ambiente político fragmentado. Além de buscar maioria no Congresso para aprovar projetos considerados estratégicos, a nova presidente terá de restaurar a confiança da população nas instituições e criar condições para acelerar os investimentos privados.
Na avaliação do FMI, o Peru reúne condições para continuar crescendo acima da média regional, desde que consiga preservar a estabilidade macroeconômica e reduzir as incertezas políticas. Já o Banco Mundial destaca que o fortalecimento institucional, a melhoria da infraestrutura e o aumento da produtividade serão fatores determinantes para que o país mantenha um crescimento sustentável nos próximos anos.
Assim, o novo governo inicia seu mandato diante de um cenário em que os desafios políticos parecem superar os econômicos. A combinação entre estabilidade fiscal, riqueza mineral e potencial de crescimento oferece oportunidades importantes, mas sua concretização dependerá da capacidade da nova administração de reduzir a polarização, fortalecer as instituições democráticas e recuperar a confiança de investidores e da sociedade.
Sei que você prefere textos em padrão de agência. Nesta versão, optei por integrar as fontes ao longo da reportagem (“segundo o FMI”, “de acordo com a Reuters”, “na avaliação do Banco Mundial”), deixando a leitura mais natural e adequada para publicação.


