A probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial caiu de 70% para 60% na avaliação da consultoria de risco político Eurasia Group. O relatório divulgado nesta sexta-feira (23), segundo o SBT News, aponta uma recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora mantenha o candidato do PL como favorito para a votação de domingo (25).
A revisão acompanha o estreitamento da distância nas pesquisas. Pelos cálculos da Eurasia, a vantagem média de Flávio recuou de 2,6 pontos percentuais na quarta-feira (21) para 1,9 ponto nesta sexta. Os 60% representam uma estimativa de probabilidade de vitória, e não um percentual de intenção de voto.
A consultoria considera, entretanto, que a diferença nas urnas pode superar dois pontos percentuais, levando em conta o perfil dos eleitores com maior propensão a comparecer à votação.
Na avaliação da Eurasia, a ofensiva petista ajudou Lula a ganhar terreno. O relatório cita os ataques da campanha às supostas ligações de Flávio com milícias e aos possíveis efeitos de cortes de gastos sobre programas sociais. Trata-se de acusações e questionamentos usados na disputa eleitoral.
Propostas do presidente, como a tarifa zero no transporte público e a ampliação do Pé-de-Meia para universitários, também teriam contribuído para melhorar sua avaliação entre os eleitores, conforme a análise relatada pelo SBT News.
O baixo entusiasmo com os dois candidatos é apontado como um fator que mantém espaço para mudanças na reta final. Segundo a consultoria, quase 17% dos eleitores decidiram o voto no primeiro turno nos dias que antecederam a eleição.
Nesse cenário, o debate desta sexta-feira na TV Globo é considerado pela Eurasia a última grande oportunidade para Lula modificar a disputa. Um desempenho especialmente favorável ao presidente ou um erro relevante de Flávio poderia alterar o quadro.
A pressão sobre os adversários, porém, é diferente na leitura da empresa. Lula precisaria de uma atuação claramente superior, enquanto Flávio chegaria ao encontro com a tarefa de preservar a vantagem acumulada.
Apesar da recuperação petista, a consultoria avalia que a insatisfação de parte do eleitorado com a economia e as preocupações com corrupção e segurança pública continuam favorecendo o candidato do PL. O pouco tempo até a votação também limita as possibilidades de reação do presidente.

