O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) viajou de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília, em janeiro de 2025, num jatinho do qual uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro detinha uma cota. Segundo reportagem da revista Piauí reproduzida pela CNN Brasil, estavam a bordo a mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz, também cotista da aeronave.
O avião, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, é o mesmo utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sete meses depois. A informação sobre a viagem de Flávio surgiu em meio às investigações sobre as relações de Vorcaro, fundador do Banco Master, com políticos e integrantes do Judiciário. A reportagem sobre o voo, por si só, não aponta irregularidade cometida pelo senador.
Na época da viagem, Vorcaro tinha, por meio da Prime You, uma das três cotas da aeronave, de acordo com a CNN. Outra pertencia a Tomaz, por intermédio da empresa Alcazar Holdings. A propriedade formal do jato estava registrada em nome da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade constituída para o compartilhamento do avião. Um relatório da Polícia Federal avaliou cada cota em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.
Flávio comentou a notícia em uma publicação no X. “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu. A frase faz referência ao voo do ministro, cuja utilização da mesma aeronave foi confirmada anteriormente pelo escritório Barci de Moraes.
À piauí, Tomaz confirmou que detinha um terço das cotas do jato. Afirmou, porém, que só soube em abril de 2026 que Vorcaro também teria adquirido uma participação e que, desde então, está em litígio com a Prime You. Negou conhecer o ex-banqueiro e disse que oferecia caronas gratuitas a amigos quando havia lugares disponíveis. Segundo a CNN, ele não esclareceu à revista se Flávio viajou como seu convidado.
A piauí relata que Flávio e Tomaz fizeram outras viagens juntos. O advogado foi alvo de investigação relacionada a suspeitas de desvios e fraudes no INSS. A revista também afirma que, durante a campanha em São Paulo, o senador usou um apartamento adquirido por uma empresa de Tomaz de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
O voo acrescenta um episódio à sequência de contatos sob escrutínio entre pessoas próximas a Flávio e ao ex-banqueiro. Segundo a CNN, mensagens obtidas pela Polícia Federal mencionam tratativas, em dezembro de 2024, para um jantar que reuniria Vorcaro, Flávio e o ex-presidente Jair Bolsonaro. A existência das conversas sobre o encontro não confirma, por si, que o jantar ocorreu.
Outro ponto investigado é o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A CNN informa que Flávio participou diretamente de tratativas sobre repasses de Vorcaro ao projeto. A Polícia Federal apura o caminho do dinheiro e se os valores pagos foram destinados à produção do filme. Até o momento, as informações sobre a viagem e o financiamento exigem respostas distintas: quem custeou o voo e em que condições ele foi oferecido; e qual foi o destino dos recursos negociados para o longa-metragem.

