Empresas chinesas enviaram ao Ministério da Defesa do Irã cerca de 1.300 remessas de componentes de uso duplo — materiais que podem ter aplicação civil ou militar — entre janeiro e junho deste ano. Os produtos incluem peças eletrônicas que podem ser usadas em drones e sistemas de orientação de mísseis. A revelação surge às vésperas da reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, em Washington.
O levantamento é do The Wall Street Journal, que analisou registros da alfândega iraniana. Segundo o jornal, os dados também mostram milhares de remessas feitas desde janeiro de 2025 ao Ministério da Defesa e a empresas iranianas. O aumento dos carregamentos aéreos ganhou importância depois que o bloqueio naval americano dificultou o comércio pelos portos do Irã.
A reportagem aponta ainda que a compra de petróleo iraniano pela China fornece receita a Teerã apesar das sanções dos Estados Unidos. Washington sancionou empresas e pessoas ligadas a essas transações, mas Trump tem evitado um confronto direto com Pequim enquanto tenta preservar a relação com Xi.
A distinção decisiva é que os registros documentam remessas de entidades chinesas; eles, por si só, não comprovam que o governo chinês tenha ordenado cada envio ou fornecido armas prontas ao Irã. Pequim afirma respeitar as regras internacionais, diz controlar a exportação de produtos de uso duplo e rejeita a tentativa de associá-la à guerra.
Assim, o apoio recebido pelo Irã deve entrar na conversa de quinta-feira (24) como um ponto de tensão entre os dois presidentes, ao lado do comércio e de Taiwan. Até agora, trata-se de uma revelação publicada antes da reunião, e não de um resultado do encontro.
