Brasília, 17/09/2026

Lula nega socorro ao BRB e Celina rebate

A crise do Banco de Brasília entrou de vez na campanha eleitoral. Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que o governo federal não dará dinheiro ao BRB, a governadora Celina Leão acusou o petista de agir partidariamente e de colocar em risco uma instituição pertencente à população do Distrito Federal.

Durante comício em Ceilândia, Lula responsabilizou a antiga direção do BRB, o ex-governador Ibaneis Rocha e o empresário Daniel Vorcaro pelas perdas provocadas pelas operações com o Banco Master. O presidente chamou Celina de “cínica e mentirosa” e disse que não retiraria recursos de programas sociais para socorrer o banco.

“Não vamos pegar o dinheiro do Bolsa Família para dar ao BRB”, declarou Lula, segundo a Folha de S.Paulo. O presidente sustentou que cabe aos responsáveis pelas operações responder pelo prejuízo.

Celina reagiu nesta quinta-feira (17), em sua conta no X. “Lamento a declaração de um presidente da República que quer quebrar o BRB”, escreveu. Segundo ela, Lula se comportou como “presidente de um partido” e cabo eleitoral do candidato petista ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass.

A governadora afirmou que o Planalto ajudou os Correios em duas ocasiões, mas se recusa a conceder aval para uma operação destinada a preservar o banco brasiliense. Também lembrou que o BRB possui cerca de 6 mil empregados, financia programas públicos e exerce papel estratégico na economia do DF.

O pedido do governo local não envolve, inicialmente, uma transferência direta de recursos federais. O GDF busca uma garantia da União para contratar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e capitalizar o BRB. O Tesouro só seria chamado a pagar caso o Distrito Federal não honrasse a dívida.

A crise teve origem nas operações realizadas entre o BRB e o Banco Master. O banco público adquiriu carteiras de crédito, títulos e outros ativos que posteriormente foram considerados inexistentes, superavaliados ou de difícil recuperação.

Relatório do Banco Central citado pelo UOL estima em R$ 11,4 bilhões o impacto potencial das operações. A Polícia Federal investiga 25 negócios que movimentaram aproximadamente R$ 17,5 bilhões. Parte desses valores ainda poderá ser recuperada, e as responsabilidades dependem da conclusão das investigações e dos julgamentos.

Depois de assumir o governo, no fim de março, Celina promoveu mudanças na direção e nos controles internos do BRB. Também passou a defender uma combinação de aumento de capital, empréstimos e recuperação dos recursos ligados ao Master.

Em maio, União e GDF chegaram a um acordo mediado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. A solução previa um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos, com participação de grandes bancos e contragarantias oferecidas pelo Distrito Federal.

Na ocasião, Celina agradeceu publicamente a participação do governo Lula nas negociações. O entendimento, entretanto, não transformou a União em avalista da operação. O FGC e os bancos também não ficaram obrigados a conceder o financiamento.

A Câmara Legislativa autorizou o empréstimo em junho, mas os recursos não foram liberados. Em agosto, uma nova audiência no STF tentou destravar o acordo, novamente sem resultado definitivo.

O GDF voltou então ao Supremo para buscar garantias mais efetivas. Em setembro, Fux concedeu prazo para que União, Banco Central e FGC se manifestassem sobre a operação.

Enquanto aguarda uma solução, o BRB tenta reforçar o caixa com a venda de ativos e a recuperação de créditos. Em agosto, vendeu à XP Investimentos, por R$ 304,6 milhões, créditos originados no Master. A operação melhorou a liquidez, mas não resolveu a necessidade de capitalização.

A afirmação de Celina de que Lula pretende “quebrar o BRB” representa uma acusação política. Não existe anúncio do governo federal de intenção de liquidar ou encerrar o banco. A recusa ao aval, no entanto, dificulta a obtenção do empréstimo nas condições pretendidas pelo GDF.

O confronto deixa em aberto a questão principal: quem pagará a conta das operações com o Master. Lula rejeita transferir o risco para a União; Celina sustenta que a falta de ajuda federal ameaça um patrimônio dos brasilienses.

Entre as duas posições, o BRB continua funcionando, mas ainda precisa recompor seu capital, publicar balanços confiáveis e recuperar os ativos comprometidos. A disputa eleitoral pode definir quem carregará a culpa política, mas ainda não produziu uma solução financeira para o banco.

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