Brasília, 26/08/2026

Morre o poeta e jornalista Luis Turiba

O poeta e jornalista Luis Turiba morreu nesta quarta-feira (26), em Salvador, aos 76 anos. Ele estava em casa e enfrentava complicações de saúde, entre elas um quadro pulmonar grave provocado por sequelas da covid longa e insuficiência cardíaca. Turiba deixa cinco filhos e seis netos.

A informação foi publicada pelo Correio Braziliense, jornal no qual Turiba trabalhou e conquistou um dos dois Prêmios Esso de sua carreira. Nascido em Pernambuco, em 1950, Luiz Artur Toribio mudou-se para Brasília em 1978 e se tornou uma figura marcante da vida jornalística e cultural da capital. Posteriormente, recebeu o título de Cidadão Brasiliense.

Turiba começou a trabalhar como repórter aos 23 anos, no Rio de Janeiro. Passou por O Globo e pela editora Bloch/Manchete antes de integrar a sucursal da Gazeta Mercantil em Brasília. Cobriu acontecimentos como as obras da Transamazônica e o garimpo de Serra Pelada, além de acompanhar a campanha presidencial e as viagens internacionais de Tancredo Neves.

Em uma dessas viagens, entrevistou o escritor argentino Jorge Luis Borges. Também atuou nas áreas de política, cultura e em coberturas de guerra, construindo uma trajetória profissional de mais de três décadas.

O primeiro Prêmio Esso foi conquistado no Jornal de Brasília, por uma reportagem sobre o encontro de Renato Manfredini, então estagiário e mais tarde conhecido como Renato Russo, com o ministro Delfim Netto. O segundo veio no Correio Braziliense, em uma cobertura coletiva sobre a regularização de áreas públicas.

Em 1985, Turiba integrou a assessoria de imprensa do recém-criado Ministério da Cultura. Retornou à pasta entre 2002 e 2005, durante a gestão de Gilberto Gil, quando participou da concepção dos Pontos de Cultura e produziu documentários como Gil na ONU e A Capoeira no Mundo.

Sua carreira literária começou oficialmente em 1977, com o livreto de poesias Kiprokó. Em 1998, recebeu o Prêmio Candango de Literatura pelo livro-CD Cadê. Mais tarde, publicou pela editora 7 Letras os livros Quetais, em 2014; Poeira Cósmica, em 2020; e Desacontecimentos, em 2022.

Turiba dizia que os 32 anos de jornalismo ensinaram a concisão que aplicava à poesia. Em entrevista concedida ao Correio em 2018, afirmou que seus poemas tinham uma visão jornalística, marcada pela observação das cenas, pela objetividade e pelo cotidiano.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu-lhe anistia política e formalizou um pedido de desculpas pelos abusos cometidos pelo Estado durante a ditadura militar. Turiba e sua primeira mulher, a jornalista Lucia Leão, haviam sido presos quando participavam do movimento estudantil.

Lucia definiu o poeta como irreverente, criativo e comprometido politicamente. Também destacou a revista Bric a Brac, criada em Brasília, como um dos projetos de maior importância para a identidade literária de Turiba e para a aproximação de poetas e intelectuais de diferentes partes do país.

A jornalista Fernanda Lambach, segunda mulher de Turiba, lembrou a alegria, a criatividade e a paixão do poeta pelo novo. Segundo ela, o jornalista incentivava reportagens diferentes e se entregava integralmente aos projetos culturais. Fernanda resumiu o antigo companheiro como um “espírito livre”.

 

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