Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, com base em documentos obtidos pela Polícia Federal, aponta que o Banco Master incorporou um ágio de R$ 2,4 bilhões na venda de carteiras ao Banco de Brasília, em operações realizadas entre julho de 2024 e janeiro de 2025. Para investigadores, a estratégia pode ter sido utilizada para compensar um desequilíbrio financeiro da instituição privada enquanto ainda não havia formalização da proposta de venda ao banco público do Distrito Federal.
De acordo com o Estadão, mensagens extraídas de celulares indicam que o banco controlado por Daniel Vorcaro já dependia, ao longo de 2024, de aportes do BRB para manter suas operações. Os diálogos sugerem dificuldades de caixa e indicam que a instituição não conseguiria honrar compromissos sem suporte financeiro externo.
Segundo a reportagem, a investigação ganhou força com a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob suspeita de recebimento de propina para favorecer o Banco Master. A defesa não se manifestou, e o banco público não comentou o caso até a noite anterior à publicação.
Ainda conforme o Estadão, a apuração ocorre no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a fabricação de carteiras fictícias de crédito consignado entre janeiro e maio de 2025, além da venda desses ativos ao BRB, que teria desembolsado R$ 12,2 bilhões nas operações. Antes disso, documentos indicam que o banco estatal já havia transferido ao menos R$ 8,4 bilhões ao Master entre julho e dezembro de 2024.



