Brasília, 13/09/2026

PF aponta Flávio como interlocutor direto de Vorcaro no financiamento de “Dark Horse”

A Polícia Federal identificou o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, como interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas negociações para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a investigação, as conversas mencionam um aporte de aproximadamente US$ 24 milhões, parcelado, e pagamentos que já teriam ultrapassado US$ 12 milhões.

As informações foram divulgadas pela SBT News com base em documentos tornados públicos após o Supremo Tribunal Federal retirar o sigilo de procedimentos relacionados ao Banco Master e à Operação Compliance Zero.

De acordo com o relatório, Flávio não aparece apenas em conversas mantidas por terceiros. Os investigadores localizaram mensagens trocadas diretamente entre o senador e Vorcaro sobre o andamento das filmagens, as dificuldades financeiras da produção e a liberação de recursos.

A PF afirma que os elementos reunidos apontam cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações. As mensagens indicariam a negociação de um investimento de aproximadamente US$ 24 milhões — cerca de R$ 122 milhões —, dividido em parcelas.

O relatório menciona ainda transferências superiores a US$ 12 milhões destinadas ao projeto. A investigação procura estabelecer quanto foi efetivamente pago, qual a origem dos recursos e se as movimentações financeiras correspondem ao cronograma acertado entre os envolvidos.

Thiago Miranda também aparece nas conversas como responsável por cobrar a liberação de valores. Em uma das mensagens, Vorcaro teria informado que uma nova parcela estava liberada. A PF, porém, não encontrou nos registros financeiros analisados uma transferência compatível com a data mencionada.

Os investigadores pretendem confrontar as mensagens com extratos bancários, contratos, documentos da produção e registros de transferências internacionais.

Relatório cita encontro entre Flávio e Vorcaro

Segundo a Polícia Federal, Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro teriam se encontrado pessoalmente em setembro de 2025. Depois da reunião, os dois mantiveram contato e tentaram marcar novos encontros.

Em outubro daquele ano, Flávio teria informado ao banqueiro que as filmagens estavam em andamento, mas enfrentavam dificuldades financeiras e operavam “no limite”. Vorcaro teria respondido que resolveria o problema.

As conversas também mencionariam um jantar com o ator Jim Caviezel e o diretor do filme. Em novembro, Thiago Miranda teria intensificado as cobranças pelas parcelas acertadas.

Ainda de acordo com o relatório, Flávio enviou mensagens e vídeos agradecendo o apoio de Vorcaro e informando que as filmagens continuavam. Em 16 de novembro, o senador teria afirmado que permaneceria ao lado do banqueiro.

No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Malta.

Sigilo retirado por determinação do STF

O conteúdo das mensagens tornou-se público depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de procedimentos vinculados à Petição 15.556 e à Operação Compliance Zero.

A investigação apura as relações de Daniel Vorcaro com autoridades da República e as fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master. Segundo a SBT News, 52 procedimentos tiveram o sigilo levantado, incluindo 38 processos diretamente relacionados à petição e à operação.

A providência foi tomada após o presidente do STF, Edson Fachin, determinar que Mendonça promovesse, no prazo de 24 horas, a abertura dos documentos.

Fachin atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República. O vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand, sustentou que uma decisão anterior de Mendonça não havia alcançado parte significativa dos procedimentos. Para a PGR, a manutenção desses documentos sob sigilo poderia comprometer a transparência pretendida pelo Supremo.

Os elementos divulgados não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados. Caberá à Polícia Federal verificar se os pagamentos prometidos foram realizados, identificar o caminho percorrido pelo dinheiro e esclarecer a participação de cada envolvido no financiamento de “Dark Horse”.

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