Brasília, 30/10/2026

PF prende presidente do TCE-MT; investigação aponta R$ 15,6 milhões em saques

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, e outras cinco pessoas foram presos nesta quinta-feira (29), por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em uma investigação sobre suspeitas de corrupção no órgão. Segundo o g1 MT, a Polícia Federal apura a suspensão de pagamentos a fornecedores com contratos regulares para favorecer empresas selecionadas, incluindo agências de publicidade.

A investigação identificou 150 saques em contas de Sérgio Ricardo, que somaram R$ 15,6 milhões entre janeiro e outubro de 2025. Conforme a decisão do ministro Og Fernandes, do STJ, uma agência bancária instalada no próprio tribunal teria sido utilizada para converter os recursos em dinheiro vivo, dificultando seu rastreamento.

Extratos, relatórios de inteligência financeira e imagens de segurança indicariam a participação de funcionários ligados à presidência nas retiradas. A chefe de gabinete, Roseli Loss, também presa, é apontada como uma das principais responsáveis pelos saques. Do total de operações, 64 ocorreram nos caixas bancários e 86 em terminais de autoatendimento.

Em outra frente da análise financeira, os investigadores identificaram R$ 15,4 milhões em créditos recebidos pelo presidente do tribunal em 101 lançamentos. Desse valor, R$ 10,7 milhões foram classificados como ordens bancárias avulsas e R$ 4,3 milhões como pagamentos a fornecedores. Cerca de R$ 305 mil foram identificados como salário.

A apuração começou após uma denúncia de que Sérgio Ricardo teria suspendido pagamentos contratuais sob a justificativa de contenção orçamentária, mantendo repasses a determinadas empresas. Segundo a investigação, dados do Portal da Transparência indicariam que os pagamentos mensais aumentaram de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões, apesar das restrições anunciadas.

Após a audiência de custódia, Sérgio Ricardo foi encaminhado ao Batalhão de Operações Especiais (Bope), e Roseli, ao presídio feminino Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Os advogados Grhegory Paiva Pires, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke foram levados à penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. O assessor Adriangelo Barros Antunes também foi preso, mas seu destino não foi informado.

A operação incluiu buscas relacionadas aos conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar, além do conselheiro aposentado Valter Albano. O texto do g1 não informa prisão desses quatro alvos.

Em nota, o TCE-MT afirmou que cumprirá as determinações judiciais e adotará medidas para assegurar a continuidade dos trabalhos. O tribunal suspendeu o expediente e os prazos processuais desta quinta-feira, além da sessão plenária prevista para 3 de novembro.

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