Brasília, 14/06/2026

Será que o governo Lula quer a quebra do BRB ?

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta segunda-feira (20) ter a percepção de que o governo federal não demonstra disposição em colaborar com o Banco de Brasília (BRB). Ao contrário, a impressão é de que o governo deseja a “quebra” do banco. Segundo ela, enquanto instituições privadas mantêm diálogo e negociações com o banco regional, o mesmo não ocorre com bancos públicos federais, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.Informações da CNN.

Em entrevista à CNN Brasil, a governadora avaliou que essa postura transmite a impressão de desinteresse da União em relação à saúde financeira do banco do Distrito Federal. Em tom crítico, afirmou que essa conduta não condiz com o espírito de cooperação esperado dentro do pacto federativo.

No início de abril, Celina Leão se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em busca de alternativas para o reequilíbrio financeiro do BRB. Após o encontro, declarou não ter identificado “boa vontade” do governo federal em apoiar a instituição. Ela também rejeitou a possibilidade de discutir contrapartidas por parte do DF — como alterações no cálculo do Fundo Constitucional — em troca de eventual ajuda da União.

A governadora ressaltou que, na sua avaliação, um eventual apoio federal não configuraria benefício unilateral, mas poderia ser vantajoso também para instituições como a própria Caixa. Em seu posicionamento, fez ainda um apelo ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que considere os impactos sociais da crise, destacando a existência de cerca de 6 mil servidores cotistas que dependem diretamente do banco.

Celina alertou que a quebra de uma instituição financeira pode gerar instabilidade no mercado e defendeu que a responsabilidade do governo federal deveria ser institucional, com foco na preservação de empregos e da confiança no sistema financeiro.

Crise do BRB

A atual crise do Banco de Brasília tem origem em uma série de decisões estratégicas e episódios recentes que ampliaram a exposição da instituição a riscos financeiros.

Nos últimos anos, o BRB adotou uma política de expansão baseada, em parte, na aquisição de carteiras de crédito de terceiros, incluindo operações ligadas ao chamado Banco Master. Esse modelo consistia na compra de direitos sobre recebíveis futuros, o que aumentou a vulnerabilidade do banco à inadimplência e à qualidade desses ativos.

A situação se agravou quando surgiram suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master, incluindo possível manipulação de balanços e operações sem lastro adequado. Em setembro de 2025, o BRB chegou a tentar adquirir a instituição, mas a operação foi barrada pelo Banco Central do Brasil.

Com o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal do Brasil, vieram à tona indícios de problemas mais profundos, incluindo a existência de ativos considerados de alto risco ou sem garantia real. Estimativas apontaram para cerca de R$ 12 bilhões em operações de crédito com irregularidades, pressionando o balanço do banco e elevando sua necessidade de capitalização.

A crise também atingiu a gestão da instituição. O então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi alvo de investigações e acabou sendo preso preventivamente, o que intensificou o desgaste institucional.

Apesar do cenário adverso, o governo do Distrito Federal tem reiterado que não pretende privatizar o BRB. A governadora Celina Leão classificou a crise como pontual e atribuiu os problemas a decisões da gestão anterior, defendendo que medidas de ajuste e governança podem ser suficientes para a recuperação do banco.

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