O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu na quinta-feira a procuradora-geral Pam Bondi, em meio a críticas à sua atuação à frente do Departamento de Justiça. A decisão foi motivada, segundo diversas fontes, pela insatisfação do presidente com o desempenho da auxiliar, especialmente no que considerou falta de firmeza na condução de investigações e na gestão dos arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein.
De acordo com relatos, Trump já vinha discutindo a substituição de Bondi com assessores nos últimos dias. Na quarta-feira, os dois tiveram uma conversa direta, descrita por interlocutores como “dura”, na qual o presidente sinalizou que ela deixaria o cargo em breve.
Apesar da demissão, Bondi foi informada de que poderá assumir uma nova função. O próprio Trump indicou que ela deve ocupar um posto “importante” no setor privado e, segundo fontes, também mencionou a possibilidade de indicá-la futuramente para um cargo de juíza.
Interinamente, o comando do Departamento de Justiça será assumido pelo vice-procurador-geral Todd Blanche, que já atuou na defesa de Trump em processos judiciais relevantes.
Nos bastidores, no entanto, o presidente avalia nomes para a substituição definitiva. Entre os cotados está Lee Zeldin, atual chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA). A possibilidade de sua indicação já havia surgido anteriormente, mas perdeu força com a redução da pressão política em torno do caso Epstein. Nos últimos dias, porém, voltou a ganhar espaço na Ala Oeste da Casa Branca.
Ainda segundo fontes, Bondi demonstrava incerteza sobre sua permanência no cargo e chegou a questionar integrantes de sua equipe sobre a estabilidade de sua posição.
A saída ocorre em um momento de mudanças na cúpula do governo. Trata-se da segunda baixa relevante em cerca de um mês, após a demissão da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.
Aliada de longa data de Trump, Bondi vinha sendo alvo de críticas internas. O presidente demonstrava irritação tanto com a condução do caso Epstein quanto com o que considerava falta de empenho na investigação de adversários políticos. Durante sua gestão, ela também tomou medidas controversas, como a demissão de funcionários de carreira e a abertura de investigações contra opositores, o que gerou questionamentos sobre a independência do Departamento de Justiça.
Ex-procuradora-geral da Flórida, Bondi havia assumido o cargo prometendo evitar a politização da função. No entanto, suas ações ao longo do mandato acabaram alimentando críticas de que o órgão estaria sendo utilizado para fins políticos, em alinhamento com os interesses do presidente.



