O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) que determinou a suspensão das relações comerciais com a Espanha, aprofundando a crise entre Washington e um dos principais integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). As declarações foram feitas durante a cúpula da aliança realizada em Ancara, na Turquia, e foram divulgadas inicialmente pelo jornal ABC Color e repercutidas por diversas agências internacionais.
Trump classificou a Espanha como uma “parceira terrível” da OTAN e uma “causa perdida”, afirmando que não pretende manter relações comerciais com o país enquanto o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez continuar recusando a meta de elevar os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual defendido pelos Estados Unidos.
Ainda de acordo com o ABC Color, o presidente americano acusou Madri de não colaborar com as operações militares dos Estados Unidos contra o Irã e afirmou que deseja interromper “imediatamente” o comércio e até mesmo reduzir o fluxo de visitas entre os dois países. Questionado sobre quando a medida entraria em vigor, respondeu que não havia necessidade de novas discussões e que a decisão seria aplicada de forma imediata.
Conforme relatou a agência Reuters, Trump ampliou as críticas aos aliados europeus, afirmando que vários países da OTAN não ofereceram o apoio esperado nas recentes operações militares no Oriente Médio. Apesar das críticas, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, tentou minimizar o episódio, afirmando que a cooperação entre os aliados continua sólida e que a Espanha vem aumentando gradualmente seus investimentos em defesa.
Segundo a Reuters, Rutte lembrou ainda que diversos países europeus disponibilizaram infraestrutura e apoio logístico para as operações americanas, inclusive com o fechamento temporário de aeroportos civis para facilitar o reabastecimento de aeronaves militares.
Na mesma entrevista, Trump também declarou considerar encerrado o cessar-fogo informal que vinha reduzindo as hostilidades entre Estados Unidos, Israel e Irã. Conforme informou o jornal britânico The Guardian, o presidente voltou a atacar duramente a liderança iraniana, afirmando que Teerã rompeu os entendimentos que sustentavam a trégua e acusando o regime de ampliar a instabilidade no Oriente Médio.
O governo espanhol procurou minimizar as declarações da Casa Branca. Segundo a Reuters, integrantes do gabinete de Pedro Sánchez afirmaram que o comércio bilateral é conduzido principalmente pelas empresas privadas e lembraram que a política comercial da Espanha é competência da União Europeia, o que impede acordos ou restrições comerciais bilaterais dessa natureza.
Especialistas em comércio internacional ouvidos pela Reuters avaliam que uma eventual suspensão total das relações comerciais encontraria obstáculos jurídicos relevantes. Como integrante da União Europeia, a Espanha negocia seus acordos comerciais por meio do bloco europeu, o que limita a possibilidade de medidas unilaterais dessa magnitude. Analistas também destacam que Estados Unidos e Espanha movimentam dezenas de bilhões de dólares por ano em comércio, investimentos e serviços, tornando qualquer ruptura potencialmente prejudicial para ambos os lados.
As declarações de Trump representam mais um capítulo das tensões entre Washington e alguns aliados europeus, em meio ao aumento da pressão americana para que os países da OTAN ampliem seus investimentos em defesa e assumam maior participação nas operações militares lideradas pelos Estados Unidos no cenário internacional.


