Brasília, 21/07/2026

PF intima Jaques Wagner para depoimento dia 7 de agosto

O senador Jaques Wagner (PT-BA), que deixou recentemente a liderança do governo Lula no Senado, foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento no próximo dia 7 de agosto. O parlamentar é investigado por suspeitas de ter recebido vantagens indevidas ligadas ao Banco Master, instituição financeira que entrou na mira das autoridades.

As diligências foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o senador, além da imposição de medidas cautelares, entre elas restrições ao exercício de atividades econômicas.

A investigação aponta que benefícios financeiros teriam sido destinados ao parlamentar por meio de familiares, pessoas de sua confiança e empresas supostamente vinculadas ao Banco Master. Para a Polícia Federal, os elementos reunidos até o momento indicam um possível fluxo de recursos e vantagens econômicas que, direta ou indiretamente, favoreceriam o senador baiano.

Um dos principais alvos da apuração é Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Segundo a PF, ele era o responsável por operacionalizar pagamentos e outras vantagens destinadas a agentes políticos. Os investigadores afirmam ter identificado contatos frequentes entre Augusto e Jaques Wagner durante o período investigado.

Entre as evidências reunidas está a negociação de um apartamento em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões. Em mensagem interceptada pela Polícia Federal, o senador encaminha ao ex-sócio do banco o contato do gerente da construtora e informa o imóvel pretendido: “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi.” Para os investigadores, a conversa reforça a suspeita de que o imóvel teria sido adquirido com recursos provenientes do esquema sob investigação.

A defesa de Jaques Wagner rejeita as acusações, afirma que o senador jamais recebeu qualquer vantagem ilícita e sustenta que todos os seus atos e seu patrimônio podem ser plenamente esclarecidos durante o andamento do processo.

O caso

As suspeitas contra Jaques Wagner surgiram durante as investigações sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o Banco Master e sua relação com agentes públicos. Ao longo da apuração, a Polícia Federal identificou movimentações financeiras, trocas de mensagens e operações patrimoniais que, segundo os investigadores, poderiam indicar o pagamento de propina ao senador por intermédio de pessoas ligadas ao seu círculo familiar e empresarial.

Com o avanço das investigações, o ministro André Mendonça autorizou buscas e apreensões e outras medidas cautelares contra o parlamentar. Na sequência, a Polícia Federal marcou o depoimento de Jaques Wagner para o dia 7 de agosto.

O caso provocou forte desgaste político no Palácio do Planalto. Diante da repercussão das investigações e da pressão para preservar a articulação do governo no Congresso, Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado. A mudança foi interpretada como uma tentativa de reduzir os impactos políticos da investigação, embora o senador continue exercendo o mandato e negando qualquer participação em irregularidades.

O inquérito permanece em andamento no Supremo Tribunal Federal e deverá avançar após o depoimento do parlamentar e a análise do material apreendido pela Polícia Federal.

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