A França enfrenta uma onda de protestos por melhores condições nas escolas que ganhou dimensão nacional e colocou o governo do presidente Emmanuel Macron sob pressão. A falta de professores, a deterioração dos prédios e as salas superlotadas mobilizaram estudantes, docentes e famílias. Os confrontos e as denúncias de violência policial acrescentaram uma nova frente à crise.
Mais de 250 mil pessoas participaram das manifestações de terça-feira (6). A Associated Press informou que quase 500 pessoas foram detidas naquele dia. O movimento começou em uma escola da região de Paris, em setembro, e se espalhou pelo país, com bloqueios de instituições e boicotes às aulas.
Nesta quarta-feira (7), o governo suspendeu o uso de granadas de efeito moral no policiamento das manifestações estudantis. Segundo a Reuters, a decisão ocorreu depois que um adolescente de 15 anos perdeu uma mão durante um confronto em Lens. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão enquanto o episódio é investigado. Ao todo, 18 ocorrências foram encaminhadas à inspeção da polícia.
Mais de 500 escolas continuavam fechadas nesta quarta-feira, e novas manifestações estão previstas para quinta-feira (8).
As reivindicações vão além da contratação de professores. A Folha de S.Paulo relatou que os estudantes também questionam jornadas escolares das 8h às 18h e pedem mudanças no acesso ao ensino superior. Entre os alvos está o Parcoursup, plataforma utilizada para distribuir vagas universitárias, criticada por entidades estudantis pela falta de transparência.
O movimento nasceu em escolas da periferia parisiense, onde a ausência de profissionais e as dificuldades de infraestrutura deram impulso às mobilizações. A adesão de universitários e sindicatos aumentou seu alcance político.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu reconheceu a necessidade de ouvir os estudantes, mas condenou os episódios de violência. Na versão apresentada pelo governo e reproduzida pela AP, a atuação policial foi proporcional na maioria dos casos. Manifestantes contestam essa avaliação.
O conflito também chegou à disputa entre governo e oposição. Conforme a Folha, o Executivo acusa o partido França Insubmissa de estimular a crise com objetivos eleitorais. A legenda nega a acusação e responsabiliza o governo pela repressão.
A proximidade da eleição presidencial de 2027 amplia o desgaste de Macron. Ao mesmo tempo, as demandas por investimentos confrontam os planos de ajuste das contas públicas.
O impasse combina duas cobranças: respostas concretas para a educação e apuração dos excessos policiais. Sem avanços nessas frentes, a continuidade dos atos poderá prolongar uma crise que já ultrapassou os portões das escolas.



