O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, defendeu, em entrevista ao g1 e à GloboNews, uma plataforma centrada em segurança pública, ajuste fiscal e reformas estruturais, além de endurecer o discurso contra o governo Lula e seus principais adversários na disputa eleitoral.
Um dos principais pontos da entrevista foi a promessa de conceder anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Para Caiado, a medida é necessária para “pacificar o país” e retirar o tema do debate político, permitindo que o governo concentre esforços em questões econômicas e sociais. O candidato comparou a situação dos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes à recuperação dos direitos políticos do presidente Lula, defendendo que ambos os episódios precisam ser superados para reduzir a polarização política.
Na área internacional, Caiado descartou qualquer retaliação aos Estados Unidos diante do aumento das tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, um confronto comercial prejudicaria as exportações nacionais e afastaria investimentos americanos. Em contrapartida, propôs utilizar o potencial brasileiro em minerais estratégicos, especialmente as terras raras, como instrumento de negociação, mas ressaltou que o sistema de pagamentos Pix não faria parte de qualquer acordo internacional.
Na economia, afirmou que pretende privatizar os Correios e o segmento de gás da Petrobras, preservando, porém, a exploração de petróleo em águas profundas. Também descartou a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Caso seja eleito, pretende enviar ao Congresso, já no primeiro dia de governo, propostas de reformas administrativa, política e de revisão da reforma tributária. Embora tenha defendido cortes de gastos públicos e uma revisão da Previdência para garantir a sustentabilidade do sistema, evitou detalhar quais despesas seriam reduzidas.
Ao abordar a relação com o Congresso Nacional, Caiado disse que pretende manter as emendas parlamentares, mas defendeu que todos os recursos sejam destinados exclusivamente a obras e projetos previstos no programa de governo, sustentando que o presidente da República deve recuperar a autoridade política para negociar com os parlamentares.
A segurança pública ocupou boa parte da entrevista. O candidato afirmou que pretende classificar o crime organizado como “terrorismo doméstico”, permitindo o emprego das Forças Armadas para recuperar territórios dominados por facções criminosas. Também anunciou a intenção de propor a criação de uma polícia integrada da América do Sul para atuar no combate às organizações criminosas transnacionais e voltou a criticar o uso de câmeras corporais por policiais militares, afirmando que o equipamento reduz a capacidade de reação dos agentes. Caiado ainda alertou para o risco de “mexicanização” do Brasil, expressão utilizada para descrever o avanço do narcotráfico sobre a economia e as instituições públicas.
Na reta final da entrevista, endureceu as críticas ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Segundo Caiado, os questionamentos envolvendo o senador, como a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outros episódios recentes, exigem explicações públicas. Para o candidato do PSD, alguém que disputa a Presidência da República precisa demonstrar inocência diante das acusações para manter condições políticas de concorrer ao cargo.

