A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), afirmou nesta sexta-feira (18) que acionará a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o petista dizer que o governo federal não vai “dar dinheiro” para ajudar a solucionar a crise do BRB, causada pela aquisição de ativos considerados podres do Banco Master. Informações do SBT News.
Para ela, a declaração foi criminosa e pode afetar a liquidez da instituição.
“Quando o presidente da República fala, ele mexe na liquidez. E ele fala o contrário do que a AGU está falando. A AGU fala o seguinte: ‘vamos fazer um sindicato dos bancos para ajudar a recuperar e pegar o empréstimo’. Ele fala não, não vamos fazer. É um crime”, afirmou durante sabatina promovida pela CBN, O Globo e Valor Econômico.
Celina já acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) em reação à declaração de Lula. Em ofício enviado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal (GDF) afirma que “a frase presidencial deixa evidente a resistência à participação federal na solução da crise do BRB”.
A governadora também pediu que a manifestação do presidente seja considerada por Fux na análise do pedido de ajuda ao banco.
Relator da ação, o ministro recebeu, no início de setembro, o processo apresentado pelo governo do Distrito Federal para obrigar a União a oferecer garantia ao empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o GDF tenta obter junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Durante a sabatina, Celina também comentou sobre a demora na divulgação do balanço financeiro do BRB. Segundo ela, o documento já está pronto, mas só será apresentado após a obtenção do empréstimo. A governadora afirmou ainda que a publicação dos dados não está condicionada ao calendário político.
Compra do Master pelo BRB
Na sabatina, Celina negou novamente ter participação nas tratativas para a compra do Banco Master pelo BRB, apesar de mensagens reveladas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Thiago Miranda indicarem seu envolvimento nas negociações.
A governadora ainda afirmou acreditar que o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, tinha conhecimento sobre a operação.
Segundo ela, Ibaneis fazia “defesas públicas” da aquisição e dizia que o negócio seria “importante para Brasília”, enquanto ela se posicionava contra a transação.
Questionada sobre o motivo de não ter rompido com Ibaneis à época, Celina disse que não tinha conhecimento de qualquer ilegalidade.
“Se soubesse de alguma ilegalidade, teria que ter denunciado”, afirmou.

