Brasília, 22/10/2026

Enchente no Nepal e no Tibete deixa 160 mortos

Uma enchente repentina devastou comunidades na fronteira entre o Nepal e o Tibete, deixando pelo menos 160 mortos e centenas de desaparecidos. O balanço permanece provisório devido às dificuldades de acesso às áreas atingidas e à existência de números divulgados separadamente pelas autoridades nepalesas e chinesas.

Segundo reportagem do jornal francês Le Monde, baseada também em informações da Reuters, a polícia do Nepal anunciou ter recuperado 157 corpos. No lado tibetano da fronteira, autoridades chinesas confirmaram três mortes e informaram que 265 pessoas continuavam desaparecidas.

O Conselho de Turismo do Nepal havia contabilizado 384 viajantes sem contato, entre eles 93 nepaleses e 291 estrangeiros. Como a região recebe turistas, alpinistas e peregrinos de diferentes países, as autoridades ainda trabalham para confirmar quem realmente estava nas áreas atingidas no momento da tragédia.

O governo francês informou que pelo menos 80 cidadãos do país declararam estar no Nepal. Outros franceses poderiam encontrar-se nas regiões afetadas, mas o paradeiro deles ainda não havia sido confirmado.

A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida da conhecida trilha de Langtang, e localidades utilizadas por peregrinos hindus que seguem em direção a Kailash Mansarovar. No Tibete, o desastre alcançou a passagem fronteiriça de Gyirong, uma das principais ligações terrestres entre a China e o Nepal.

Imagens divulgadas pelas autoridades mostraram uma corrente de água, lama e detritos avançando pelo vale e arrastando casas, veículos e trechos de estradas. Em alguns pontos, somente os andares superiores das construções permaneceram visíveis acima da lama.

As operações de busca enfrentam dificuldades provocadas pela destruição de estradas, pontes e sistemas de comunicação. O Exército nepalês enviou soldados e helicópteros para procurar desaparecidos, retirar moradores das áreas de risco e transportar os feridos.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, pediu paciência à população e afirmou que o governo está mobilizado para garantir resgate, atendimento médico, abrigo e alimentação às vítimas.

A União Europeia ativou o sistema de monitoramento por satélite Copernicus para mapear as regiões atingidas e auxiliar as equipes de emergência. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o bloco está preparado para oferecer ajuda adicional.

Os Estados Unidos anunciaram US$ 500 mil em assistência. Os recursos serão destinados a abrigos emergenciais, água potável, saneamento, higiene e suprimentos essenciais, por meio da organização Catholic Relief Services.

No lado chinês, o presidente Xi Jinping determinou a mobilização de recursos para localizar desaparecidos, retirar moradores de áreas ameaçadas, atender os feridos e reduzir o número de vítimas.

A causa exata da tragédia continua sob investigação. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o desastre teria sido provocado pelo colapso de uma geleira, que gerou uma violenta avalanche de gelo, rochas e detritos. O impacto foi inicialmente confundido com um terremoto devido à energia sísmica produzida pelo deslocamento da massa.

O episódio reforça a vulnerabilidade das comunidades do Himalaia diante de deslizamentos, rompimentos naturais e enchentes glaciais. Enquanto prosseguem as buscas, as autoridades evitam apresentar um número definitivo de desaparecidos diante do caos, da presença de turistas estrangeiros e da dificuldade de comunicação com as localidades isoladas.

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