Brasília, 29/10/2026

Ex-presidente do BRB atribui a Ibaneis ordem para vender banco ao Master

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), determinou que ele estruturasse a venda do banco público ao Banco Master. Segundo o depoimento, divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29), a orientação foi dada durante uma reunião na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, em setembro de 2024.

De acordo com o SBT News, Costa disse que foi comunicado do encontro pelo gabinete de Ibaneis. Embora estivesse em viagem e tivesse tentado evitar a reunião, acabou comparecendo. Além do governador e do controlador do Master, outras quatro pessoas teriam participado.

No relato à PF, Costa afirmou que Ibaneis apresentou Vorcaro, embora os dois já se conhecessem por operações de cessão de crédito entre as instituições. Em seguida, segundo o ex-presidente, o governador foi direto: “Paulo, estruture uma venda do BRB para o Master”.

Ibaneis negou a versão. Em nota, afirmou que “jamais” sugeriu a operação e disse que Costa havia sido escolhido por sua capacidade técnica. Segundo o ex-governador, o então dirigente tinha autonomia e responsabilidade pelas operações do BRB, cujo acionista majoritário é o governo do Distrito Federal.

Costa declarou que recebeu a proposta com surpresa e, posteriormente, manifestou oposição à venda em uma conversa com Ibaneis. A negociação envolveria ações pertencentes ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev), que detinha aproximadamente 16,5% do banco público.

Ainda segundo o depoimento, o desenho do negócio foi alterado durante uma reunião na Suíça. Em vez de ser vendido ao Master, o BRB passaria a comprar a instituição de Vorcaro. Costa relatou ter apresentado a mudança ao governador como uma alternativa mais vantajosa para o banco de Brasília.

Na versão do ex-presidente, a nova estrutura permitiria ao BRB assumir o controle, selecionar ativos e passivos e conduzir o processo com auditorias. A compra foi anunciada em março de 2025, mas acabou barrada pelo Banco Central em 3 de setembro daquele ano.

O depoimento foi prestado em 15 de outubro, no inquérito que apura suspeitas de irregularidades na venda de carteiras de crédito do Master ao BRB. Na quarta-feira (28), a PF apresentou relatório preliminar com o indiciamento de Vorcaro, Costa e outras 13 pessoas.

Segundo a investigação descrita pelo SBT News, o Master negociou R$ 17,5 bilhões em ativos de crédito com o BRB. Desse total, R$ 12,2 bilhões corresponderiam a carteiras sem lastro ou valor real, adquiridas anteriormente da consultoria Tirreno.

As carteiras teriam origem em empréstimos consignados relacionados a associações de servidores públicos da Bahia, no âmbito do Credcesta. Para a PF, as operações integravam uma estratégia para inflar o balanço do Master e ocultar dificuldades de liquidez.

A investigação também aponta que os negócios foram divididos em parcelas de R$ 750 milhões, limite que dispensava autorização do Conselho de Administração do BRB. Segundo a apuração, R$ 7,6 bilhões foram pagos sem análise do parecer técnico sobre as carteiras, enquanto outros R$ 7 bilhões foram aprovados apesar de alertas encaminhados à diretoria.

O Master foi liquidado em novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso ao tentar deixar o país pelo aeroporto de Guarulhos. Paulo Henrique Costa foi detido em abril deste ano. As declarações do ex-presidente acrescentam à investigação uma acusação de participação direta de Ibaneis na origem das negociações, versão contestada pelo ex-governador.

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