O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos após deixar o Brasil apesar de uma ordem judicial que o proibia de sair do país e determinava a entrega de seus passaportes. Segundo aliados ouvidos por veículos brasileiros, ele viajou com a esposa e as duas filhas. O Departamento de Estado norte-americano confirmou que emitirá vistos para o parlamentar e seus familiares e permitirá a entrada deles.
A chegada à Flórida foi relatada à Reuters por um aliado da família Bolsonaro. A agência também ouviu uma fonte do governo dos Estados Unidos que confirmou a viagem. A manifestação oficial do Departamento de Estado, entretanto, tratou da emissão dos vistos e da autorização de entrada, sem detalhar o desembarque ou o percurso utilizado.
Segundo a Band, que atribuiu as informações a aliados próximos, Flávio desembarcou na tarde de terça-feira (27) no aeroporto de Fort Lauderdale e já se encontrou com o irmão, Eduardo Bolsonaro. A mesma reportagem informou que a equipe preparava uma entrevista coletiva para esta quarta-feira (28).
A saída ocorreu menos de 24 horas depois de Flávio declarar publicamente que permaneceria no Brasil e cumpriria a decisão judicial. Na segunda-feira, após ser intimado pela Polícia Federal, ele afirmou que entregaria os documentos e organizaria a oposição ao governo Lula.
O prazo terminou na manhã de terça-feira sem a entrega. A PF cancelou os passaportes e informou que comunicaria ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o descumprimento da determinação. Segundo a Agência Brasil, não havia registro formal da saída do senador nos sistemas migratórios brasileiros.
O SBT News publicou, já nesta quarta-feira, que Donald Trump autorizou a entrada de Flávio nos Estados Unidos. A informação foi atribuída a fontes ouvidas pela emissora. Oficialmente, a manifestação norte-americana divulgada pelos veículos consultados se limita à concessão dos vistos e à permissão de ingresso no país.
Aliados disseram ao Metrópoles que o senador pretende pedir asilo político ao governo Trump, sob a alegação de perseguição no Brasil. A reportagem descreve uma operação organizada de última hora por um grupo restrito de pessoas nos dois países. A intenção relatada pelos interlocutores, porém, não equivale à confirmação de um pedido formal ou de sua concessão.
O trajeto continua cercado de dúvidas. A versão inicial, publicada pelo argentino Infobae, apontava uma passagem pela Argentina antes do embarque para os Estados Unidos. Autoridades argentinas negaram registros de entrada de Flávio e informaram que a fiscalização do avião mencionado na notícia não encontrou um plano de voo que incluísse a família Bolsonaro. Assim, a rota pela Argentina permanece sem comprovação nas informações consultadas.
No Brasil, deputados do PT pediram a Moraes a prisão preventiva do senador. O requerimento também solicita, caso seja expedido um mandado, a inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol. Trata-se de um pedido apresentado ao STF, cuja execução depende de decisões posteriores.
A viagem provocou surpresa entre integrantes da campanha presidencial. Segundo o UOL, políticos próximos afirmaram que não foram avisados sobre o plano e passaram a temer uma ordem de prisão contra o parlamentar.
A restrição de viagem foi determinada no inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades. O senador também é investigado em outro procedimento relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e sustenta que a produção recebeu recursos privados obtidos legalmente.


