A eleição parlamentar de Israel terminou com um impasse entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu principal adversário, o ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot. As pesquisas de boca de urna indicaram que nenhum dos dois blocos alcançou as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Parlamento. A apuração continuava nesta quarta-feira (28), sem resultado final.
As projeções atualizadas da emissora pública Kan 11 e do Canal 13 apontaram empate: 51 cadeiras para cada bloco, com outras 18 destinadas aos partidos árabes. O Canal 12 apresentou um cenário diferente, com 52 lugares para os aliados de Netanyahu, 49 para a oposição e 19 para as legendas árabes. Os números são estimativas e podem mudar com a contagem dos votos.
O comparecimento chegou a 77,7%, segundo o Comitê Central Eleitoral, aproximadamente sete pontos percentuais acima do registrado em 2022. Foi a primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e as guerras que se seguiram na região.
Na contagem parcial divulgada durante a madrugada, com 16,8% das cédulas apuradas, o Likud, partido de Netanyahu, tinha 24,1% dos votos. O Yashar, de Eisenkot, aparecia com 16,1%, seguido pela aliança Together, com 8,8%. Esses percentuais ainda não permitiam estabelecer a composição definitiva das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense.
Mesmo com o Likud na liderança da apuração inicial, a permanência de Netanyahu depende do desempenho de seus aliados e das negociações para construir uma maioria. Ser o partido mais votado não assegura, por si só, o comando do governo.
Após o fechamento das urnas, Netanyahu defendeu a formação de um governo nacional de direita. Eisenkot afirmou que os eleitores rejeitaram a continuidade do primeiro-ministro e pediu sua saída da política. Nenhum dos dois, porém, apresentou uma maioria parlamentar assegurada.
As legendas árabes podem ganhar peso decisivo nas negociações. As projeções lhes atribuem entre 18 e 19 cadeiras, mas a possibilidade de um acordo enfrenta resistência política. Eisenkot tem imposto fortes restrições à formação de um governo com essas forças, enquanto Netanyahu rejeita depender delas.
O resultado também pode representar um recuo expressivo da coalizão governista, que chegou a reunir 68 parlamentares durante a legislatura. Caso as estimativas se confirmem, Netanyahu precisará ampliar sua base para permanecer à frente de um governo com maioria.
A expectativa é que a contagem seja concluída entre quinta-feira (29) e sexta-feira (30). Depois, começa a negociação para formar o Executivo, que pode durar semanas. Até a definição de um sucessor ou de uma nova coalizão, Netanyahu permanece no cargo interinamente.


