Brasília, 06/11/2026

Flávio diz que ficará nos EUA e não repetirá “erro” do pai

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pretende permanecer nos Estados Unidos e que não repetirá o que classificou como “erro” do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro: voltar ao Brasil acreditando que teria um julgamento justo. Derrotado na disputa presidencial, ele também descartou renunciar ao mandato e disse que participará de sessões virtuais quando houver essa possibilidade.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, repercutida pelo SBT News, Flávio voltou a questionar a atuação da Justiça brasileira. O senador está em sua segunda semana nos Estados Unidos, após deixar o Brasil depois do segundo turno das eleições.

“Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro”, declarou, ao comentar o retorno do pai ao país.

Jair Bolsonaro permaneceu cerca de três meses na Flórida após deixar a Presidência sem participar da transmissão da faixa a Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023. Em setembro de 2025, foi condenado à prisão por tentativa de golpe de Estado e crimes relacionados.

A entrevista de Flávio foi realizada em Miami, onde desembarcou em 28 de outubro. O senador reafirmou que manterá em segredo os detalhes de sua saída do Brasil, mas negou participação direta de governos estrangeiros, entre eles o americano e o israelense. Segundo o SBT News, o trajeto incluiu Argentina e Equador.

Para se sustentar nos Estados Unidos, Flávio disse que recorrerá a reservas acumuladas como empresário e advogado. Admitiu ainda que poderá precisar trabalhar no país, mas rejeitou a possibilidade de abandonar o mandato no Senado, cujo salário bruto está na faixa de R$ 46 mil.

“Sempre que houver a possibilidade de participar das sessões de forma virtual, vou participar”, afirmou. Conforme a reportagem, seu mandato termina com a posse da próxima legislatura, em fevereiro de 2027.

Ao tratar da eleição presidencial, Flávio repetiu a acusação de fraude, mas reconheceu que não dispõe de provas concretas. Alegou que não haveria espaço para investigar suas suspeitas e classificou como “matematicamente impossível” o crescimento da votação de Lula entre os dois turnos.

O senador citou o acréscimo de 10,3 milhões de votos ao presidente reeleito como argumento para contestar o resultado. O aumento da votação entre turnos, porém, não constitui, por si só, evidência de manipulação eleitoral.

Questionado sobre o desempenho do PL no primeiro turno, quando o partido conquistou maioria na Câmara e no Senado, segundo o texto do SBT News, Flávio disse que isso não o impediria de questionar a disputa presidencial. “Qual a garantia que tenho que não venci a eleição no primeiro turno?”, afirmou.

O senador também atribuiu ao temor de consequências judiciais o reconhecimento do resultado por aliados como Valdemar Costa Neto, presidente do PL, Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo. Na avaliação dele, os três “não falam exatamente o que pensam”.

Flávio reafirmou a intenção de disputar a Presidência em 2030, mas declarou que Jair Bolsonaro será o candidato preferencial caso esteja elegível. Sobre Tarcísio, relatou ter conversado com o governador após a eleição e disse que não precisa concordar com todas as suas declarações.

“Expliquei meu ponto de vista e falei que se tiverem novas eleições, eu sou candidato”, declarou.

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