Brasília, 06/11/2026

Quem é Pedro Alliana, novo presidente do Paraguai após queda de Santiago Peña

247 – O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña, transferindo o comando do país ao vice-presidente Pedro Alliana (ANR) em meio a uma profunda crise financeira e institucional. A destituição de Peña ocorreu por unanimidade após o agravamento do escândalo em torno do banco digital Ueno, instituição da qual o ex-mandatário foi acionista. O colapso do banco deixou milhares de clientes sem acesso aos próprios recursos, enquanto a oposição passou a acusar o Banco Central paraguaio de acobertar irregularidades sistêmicas na condução do caso.

Caminho livre após rejeição de impeachment na Câmara

A sucessão de Alliana foi viabilizada depois que a Câmara dos Deputados rejeitou um pedido de destituição contra o próprio vice-presidente, com 30 votos contrários à medida. O obstáculo legislativo havia gerado dúvidas sobre a efetividade da transição constitucional, prevista para cenários de renúncia ou destituição. Com a barreira política superada no Parlamento, Alliana herdou a chefia do Poder Executivo em um momento de ruptura interna na base governista do Partido Colorado, legenda historicamente dominante na política paraguaia.

Trajetória política e origem familiar do novo presidente

Nascido na cidade de Pilar, no departamento de Ñeembucu, Pedro Alliana tem 52 anos, é casado e pai de quatro filhos. Na juventude, atuou como atleta na seleção paraguaia de basquete e trabalhou no comércio antes de ingressar na vida pública, acumulando formação superior em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián. Ele exerceu o cargo de governador de Ñeembucu entre 2008 e 2012 e atuou como deputado federal por 10 anos, período em que também liderou a bancada do Partido Colorado na Câmara entre 2015 e 2023.

Alianças e pretensões eleitorais para o futuro do país

Alliana já havia lançado sua pré-candidatura à presidência do Paraguai para o pleito de 2028 em abril deste ano, contando com o respaldo político de Santiago Peña e do ex-presidente Horacio Cartes. A crise atual, contudo, acelera a chegada do dirigente ao Palácio de López em circunstâncias adversas, marcadas pelo impacto econômico do fechamento bancário e pela insatisfação generalizada de parcelas expressivas da população que exigem responsabilização institucional pelos prejuízos causados aos correntistas.

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