Brasília, 30/06/2026

Governo articula no Senado para garantir indicação de Jorge Messias ao STF

 A indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal mobilizou o governo federal em uma ofensiva nas últimas horas para garantir apoio suficiente no Senado. Diante de um cenário considerado apertado, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificaram negociações com parlamentares indecisos, sobretudo do Centrão e de setores da oposição, apostando em possíveis dissidências silenciosas para assegurar a aprovação nesta quarta-feira (29). Informações da CNN.

Para ser confirmado ao STF, Messias precisa de ao menos 41 votos favoráveis no plenário do Senado Federal do Brasil. Integrantes da base governista projetam um mínimo de 45 votos, podendo chegar a 49 em um cenário mais otimista. Ainda assim, a margem é vista como estreita e sujeita a oscilações. Já a oposição calcula que o indicado possa alcançar cerca de 35 votos, trabalhando para barrar a nomeação.

Como parte da estratégia, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, reassumiu temporariamente seu mandato de senador para participar da votação, ampliando a contagem governista. Apesar de Messias também ser evangélico, interlocutores avaliam que ele não deve obter apoio integral da bancada religiosa.

A votação secreta no plenário é considerada um fator decisivo. Governistas acreditam na existência de “votos envergonhados” — senadores que evitam declarar apoio publicamente, mas podem votar favoravelmente na urna. Nesse contexto, interesses regionais e articulações de bastidores tendem a pesar mais do que alinhamentos ideológicos, avaliam aliados do Planalto.

O senador Flávio Bolsonaro afirmou que parlamentares da direita devem votar “de acordo com a consciência”. Embora tenha reiterado posição contrária e o PL mantenha orientação de voto contra, a declaração foi interpretada por governistas como sinal de possível flexibilidade em parte da oposição.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, inicialmente resistiu à indicação, mas, segundo aliados do governo, adotou postura mais neutra nas últimas semanas. Ele teria se comprometido a manter o painel de votação aberto pelo tempo necessário, o que é visto como relevante em uma disputa equilibrada.

Antes da votação em plenário, Messias será sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde a expectativa governista é de obter ao menos 16 votos favoráveis. Durante a sabatina, o indicado deve enfrentar temas sensíveis, como aborto e a responsabilização de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A estratégia deve ser adotar cautela, evitando posicionamentos pessoais sobre საკითხos que poderão ser julgados pelo STF.

Aliados descrevem Messias como “discreto e preparado” e defendem respostas objetivas para evitar desgaste. Há também uma articulação para que parlamentares favoráveis reduzam o tempo de հարցamentos, acelerando uma sessão que deve se estender por várias horas.

Relação entre política e STF  

A sabatina de Jorge Messias deve refletir mais amplamente a relação entre o meio político e o STF do que apenas avaliar o nome indicado. Parlamentares devem explorar o posicionamento do candidato sobre o papel do Judiciário e o chamado ativismo judicial.

Nos bastidores, a avaliação é que o processo servirá como termômetro da percepção dos senadores sobre a atual crise de credibilidade enfrentada pela Corte. Além disso, o tema tende a ganhar relevância no cenário eleitoral, com o STF ocupando espaço crescente no debate político nacional.

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