
Luiz Carlos Bordoni
O jornalismo não é uma profissão de infalíveis. É uma profissão de responsáveis. Quem trabalha diariamente com informações, fontes e análises sabe que está sujeito a erros. O que diferencia o bom jornalismo não é a ausência deles, mas a disposição de corrigi-los quando novos fatos se impõem.
Na última análise publicada neste portal, tratei do encontro promovido pelo PL no tattersal do Parque de Exposições com base em informações recebidas de uma fonte que considerava confiável e em relatos divulgados por veículos de comunicação. O quadro apresentado era o de um evento que teria ficado muito abaixo da expectativa de público.
Posteriormente, tive acesso a um conjunto bem mais amplo de informações: vídeos, fotografias, registros do local e relatos convergentes de pessoas que acompanharam toda a programação. Esse material revela um cenário diferente daquele que fundamentou minha análise. As imagens mostram um tattersall completamente tomado pelo público, com grande concentração de pessoas também na área externa, além da permanência dos participantes durante toda a programação, ao contrário do que havia sido informado inicialmente.
O encontro contou com a presença do presidenciável Flávio Bolsonaro, que pediu o engajamento da militância em torno das candidaturas do partido em Goiás e no Brasil. Também participaram o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; o pré-candidato ao governo goiano, senador Wilder Morais; a pré-candidata a vice-governadora, Ana Paula Rezende, além dos pré-candidatos ao Senado Gustavo Gayer, Oséias Varão e Delegado Humberto Teófilo, juntamente com os demais pré-candidatos da legenda.
Faço este registro em respeito aos fatos e, principalmente, aos leitores deste portal. O jornalismo deve satisfação à verdade factual. Quando novos elementos demonstram que uma análise foi construída sobre premissas equivocadas, o dever do jornalista é tornar pública a correção, sem constrangimento e sem receio de parecer incoerente. A coerência maior é com a realidade.
Este episódio deixa uma reflexão que considero importante para todos nós que vivemos da informação. A velocidade das redes sociais, a disputa permanente por narrativas e, muitas vezes, o ativismo político acabam contaminando o ambiente jornalístico. Em meio a esse cenário, cresce a responsabilidade de conferir, confrontar versões e desconfiar até mesmo das fontes que, por muito tempo, se mostraram confiáveis.
Nenhuma informação deve ser publicada apenas porque confirma aquilo que gostaríamos que fosse verdade. O compromisso do jornalista não é com as próprias convicções nem com as expectativas de seus leitores. É com os fatos.
Continuarei emitindo opiniões, fazendo análises e, naturalmente, estarei sujeito a novos equívocos. Mas espero jamais cometer um erro maior do que este: descobrir que publiquei uma avaliação incompatível com a realidade e permanecer em silêncio. Corrigir também é fazer jornalismo. E é esse compromisso que renovo hoje com todos os leitores.


