Dois adolescentes palestinos foram mortos a tiros na aldeia de al-Mughayyir, na Cisjordânia ocupada, durante uma incursão de colonos israelenses acompanhados por policiais e soldados. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (3) pelo jornal britânico The Guardian, as vítimas foram Khalil Abu Alia, de 16 anos, e Omar al-Nassan, de 19.
Moradores e ativistas israelenses afirmaram ao jornal que os colonos entraram na aldeia para retirar dezenas de ovelhas de uma família palestina. Durante a operação, atiradores se posicionaram nos telhados das casas. Abu Alia foi atingido no pescoço quando estava na porta de sua residência, enquanto al-Nassan levou dois tiros, um deles pelas costas. Ambos morreram antes de chegar ao hospital.
O Exército israelense confirmou que soldados, policiais e colonos estiveram na aldeia para recuperar animais reivindicados pelos colonos, mas, de acordo com o Guardian, não apresentou provas sobre a propriedade das ovelhas nem informou se havia investigação por furto. A versão militar sustenta que palestinos reagiram com pedras e blocos de concreto e que os soldados abriram fogo contra os “principais instigadores”.
As Forças Armadas reconheceram que Abu Alia foi morto por um soldado. Ainda não estava esclarecido se os disparos contra al-Nassan partiram de um militar ou de um colono.
Os dois jovens estudaram na escola masculina de al-Mughayyir, que reúne cerca de 470 alunos. Outros três estudantes da instituição — de 14 e 17 anos — já haviam sido mortos por soldados ou colonos israelenses desde o início do ano, segundo a reportagem. Diante dos ataques, a direção elevou os muros, reforçou os portões e adotou medidas especiais de segurança para o começo do novo período letivo.
A aldeia está praticamente isolada. Desde o fim de 2023, bloqueios israelenses fecharam quase todas as vias de acesso, enquanto pelo menos oito assentamentos avançados foram instalados ao redor da comunidade. Nas últimas semanas, soldados e colonos passaram também a interromper temporariamente a única estrada ainda disponível. Ao menos oito famílias deixaram o local por não conseguirem chegar ao trabalho.
Em outra ação relatada pelo Guardian, tropas israelenses demoliram a comunidade palestina de Khirbet al-Taban, nas colinas ao sul de Hebron. As casas de 12 famílias foram destruídas, deixando 70 pessoas sem moradia, entre elas 28 crianças. Cisternas, depósitos, currais e cavernas utilizadas pelos moradores também foram arrasados.
A agência militar israelense responsável pelos assuntos civis nos territórios ocupados declarou que a operação atingiu construções consideradas ilegais dentro de uma zona de treinamento militar. A região de Masafer Yatta, onde fica a comunidade, foi classificada por Israel como área de tiro em 1981, e seus aproximadamente 1.200 moradores palestinos contestam há décadas as ordens de expulsão nos tribunais.
A organização israelense de direitos humanos B’Tselem afirmou que Khirbet al-Taban é a 66ª comunidade palestina inteiramente removida desde outubro de 2023. Outras 18 teriam sido parcialmente esvaziadas e quase 5 mil pessoas, aproximadamente metade crianças, foram deslocadas. A entidade classifica o processo como uma campanha acelerada de limpeza étnica. Israel rejeita essa caracterização e sustenta que as demolições decorrem da aplicação das normas de construção e segurança em áreas sob seu controle.


