As organizações juvenis de partidos de extrema-direita ajudam a formar lideranças, conquistar eleitores e ampliar a influência desses movimentos na Europa. A avaliação é dos cientistas políticos Cas Mudde e Duncan McDonnell, em artigo publicado no The Guardian com base em uma pesquisa sobre dez organizações do continente.
Matteo Salvini, na Itália, Jordan Bardella, na França, Jimmie Åkesson, na Suécia, e Tom Van Grieken, na Bélgica, passaram pelo comando das alas jovens dos partidos que hoje dirigem. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também construiu sua trajetória na militância juvenil da extrema-direita.
Segundo os pesquisadores, essas organizações cumprem três funções centrais: construir alianças internacionais, profissionalizar a atuação política e tornar os partidos mais aceitos pelo eleitorado. Além de mobilizar campanhas, recrutam integrantes, formam dirigentes e participam da elaboração de propostas.
Encontros internacionais aproximam jovens lideranças da Europa e de outras regiões, criando vínculos que podem chegar aos futuros governos. Paralelamente, cursos de história, comunicação e retórica preparam militantes para disputar eleições e ocupar cargos públicos.
O recrutamento de universitários e a formação de lideranças com discurso mais articulado ajudam a afastar a imagem de uma extrema-direita agressiva e despreparada. Os autores alertam, porém, que a mudança de apresentação não significa moderação: a ideologia permanece nacionalista e excludente.
Para Mudde e McDonnell, os partidos tradicionais precisam rever suas próprias estruturas juvenis, frequentemente dominadas por homens, integrantes de famílias com vínculos políticos e pessoas concentradas na carreira partidária. Também devem oferecer respostas concretas à precariedade do emprego e à dificuldade de acesso à moradia.
A perda da expectativa de viver melhor que os pais alimenta a descrença de parte da juventude na política tradicional. Nesse cenário, concluem os pesquisadores, a extrema-direita ganha espaço ao falar diretamente das preocupações dos jovens e apresentar soluções que eles consideram claras.


