Os Estados Unidos votam nesta terça-feira (3) em eleições que podem retirar dos republicanos o controle do Congresso e impor novos limites ao presidente Donald Trump. A insatisfação com o custo de vida e a guerra contra o Irã marca a disputa, que também abrirá uma nova etapa na corrida pela Casa Branca em 2028. Segundo a Reuters, os democratas chegam com perspectivas favoráveis na Câmara, enquanto o Senado permanece mais incerto.
Chamadas de eleições de meio de mandato, as “midterms” ocorrem dois anos depois da escolha do presidente. Trump não estará nas cédulas, mas seu governo será o principal alvo da avaliação dos eleitores. Além da renovação da Câmara e de parte do Senado, haverá disputas pelos governos de 36 estados, com consequências para o equilíbrio político nacional.
A vantagem republicana no Congresso é estreita. O partido tem 218 deputados, contra 214 democratas, e controla o Senado por 53 a 47. A oposição precisa conquistar um saldo de quatro cadeiras em cada Casa para assumir o comando das duas. No Senado, uma divisão de 50 a 50 preservaria o controle republicano, graças ao voto de desempate do vice-presidente J. D. Vance.
O desgaste de Trump oferece uma oportunidade aos democratas, mas não garante uma vitória ampla. Em análise publicada na segunda-feira (2), a Reuters destaca que apenas cerca de 40 a 50 dos 435 distritos da Câmara são considerados realmente competitivos. A distribuição territorial dos votos e a participação efetiva dos eleitores podem limitar os ganhos da oposição, mesmo em um ambiente nacional desfavorável ao governo.
Na campanha, as dificuldades para pagar despesas cotidianas dividem espaço com a política migratória e os efeitos do conflito com o Irã. Os democratas procuram associar os candidatos republicanos às decisões da Casa Branca. Trump, por sua vez, assumiu posição central na mobilização de seu partido, transformando disputas locais em uma defesa de seu próprio governo, conforme análises da Reuters e da Associated Press.
Uma vitória democrata na Câmara permitiria à oposição comandar comissões e abrir investigações sobre a administração. Entre os assuntos que dirigentes do partido discutem examinar estão possíveis benefícios do exercício da Presidência para Trump, seus aliados e doadores. O controle do Senado acrescentaria outro instrumento de pressão: a possibilidade de bloquear indicações para o Judiciário e para cargos do Executivo.
Isso não significaria, porém, transferir o governo aos democratas. Trump conservaria o poder de veto e atribuições importantes em política externa, comércio e imigração. Segundo a Reuters, a Casa Branca prepara há meses alternativas para continuar sua agenda por meio de medidas executivas caso perca a maioria parlamentar. O cenário seria de maior confronto institucional e negociação mais difícil sobre orçamento e gastos públicos.
A disputa também envolve a confiança na apuração. Autoridades eleitorais alertam que votações apertadas podem provocar questionamentos sobre contagem e certificação, além de atrasar a definição de algumas cadeiras. Por isso, eventuais resultados incompletos na noite de terça-feira não permitirão, por si só, concluir quem controlará o Congresso.
O resultado terá efeitos nos dois partidos. Uma derrota expressiva dos republicanos poderá estimular críticas à estratégia de Trump e acelerar a disputa por sua sucessão política. Para os democratas, uma vitória abrirá o debate sobre como transformar a rejeição ao presidente em um projeto de governo. Como observa a Associated Press, o encerramento das eleições legislativas dará início a uma luta mais intensa pelo futuro político americano e pela Presidência em 2028.


