O ministro aposentado Marco Aurélio Mello afirmou que o Supremo Tribunal Federal enfrenta uma crise capaz de provocar o “suicídio” institucional da Corte. Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News, ele criticou Alexandre de Moraes, defendeu André Mendonça e questionou a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Marco Aurélio disse estar arrependido de ter apoiado a indicação de Moraes ao STF, em 2017, e avaliou que o ministro “perdeu a mão” na condução de decisões e investigações. Segundo ele, o Supremo precisa reconhecer os próprios erros e reagir ao desgaste de sua imagem perante a população.
O ex-ministro também sustentou que Gonet não deveria atuar em um procedimento relacionado a um relatório da Polícia Federal que o cita em conversas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para Marco Aurélio, o caso deveria ser encaminhado a outro integrante do Ministério Público.
Em relação a André Mendonça, afirmou que não há elementos para concluir que o ministro tenha interferido no trabalho da PF. Marco Aurélio elogiou a corporação e ressaltou que uma eventual pressão somente pode ser considerada mediante a apresentação de provas.
Para o ministro aposentado, cabe inicialmente ao próprio STF enfrentar a crise e apurar possíveis crimes comuns de seus integrantes. Em casos de responsabilidade, acrescentou, a reação deverá partir do Senado.

