247 – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a crise instaurada na corte após a revelação de mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes não possui qualquer perspectiva de solução no curto prazo, informa Bela Megale, do jornal O Globo. A percepção de ao menos cinco magistrados do tribunal é de que o cenário de tensão continuará se agravando, uma vez que nem Moraes nem o ministro André Mendonça demonstram disposição para uma trégua e sinalizam que podem, inclusive, “dobrar a aposta” no confronto.
No centro da disputa, o ministro André Mendonça tem deixado claro a interlocutores que não avalia a possibilidade de deixar a relatoria das investigações sobre o caso Master. O eventual afastamento ou renúncia de Mendonça do comando do processo havia passado a ser aventado por integrantes do próprio STF como uma alternativa para estancar o desgaste e conter a crise institucional.
Por outro lado, o ministro Alexandre de Moraes tem indicado que insistirá para que avance um procedimento investigativo voltado contra André Mendonça. A iniciativa de Moraes fundamenta-se em um documento produzido pela Polícia Federal que aponta uma suposta assimetria na conduta do colega ao dispensar tratamentos distintos a políticos envolvidos na apuração do caso Master. De acordo com aliados, caso esse primeiro requerimento não alcance resultados ou não prospere na corte, Moraes mantém outras estratégias e elementos guardados para tentar emplacar a abertura de investigações contra o colega de plenário.
O clima de tensão atingiu um nível tão elevado antes da sessão plenária de quarta-feira (2) — a primeira em que Alexandre de Moraes e André Mendonça se reencontrariam presencialmente após o início do escândalo — que a possibilidade de realizar o julgamento de forma inteiramente virtual chegou a ser abertamente debatida pela cúpula do tribunal. A avaliação final dos magistrados, contudo, foi de que alterar a agenda do plenário às vésperas da sessão traria um impacto ainda mais negativo e evidenciaria ainda mais o desgaste interno do tribunal.
Durante as discussões prévias para contornar o mal-estar público, André Mendonça chegou a ser aconselhado por colegas da corte a acompanhar e participar da sessão por meio de videoconferência. O ministro, no entanto, rejeitou expressamente a sugestão e fez questão de comparecer presencialmente ao plenário, mantendo sua atuação presencial em meio ao acirramento da crise.

