Brasília, 30/10/2026

Michelle pede união após derrota de Flávio e silêncio nos palanques

A senadora eleita pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) defendeu nesta sexta-feira (30) a união do bolsonarismo e rejeitou a busca por responsáveis pela derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação ocorre depois de uma campanha marcada pelo afastamento entre a ex-primeira-dama e o enteado, com quem protagonizou uma disputa pública sobre alianças eleitorais.

Em publicação no Instagram, relatada pela CNN Brasil, Michelle afirmou que Jair Bolsonaro tem demonstrado gratidão aos aliados que trabalharam pela candidatura do filho. Ao chamar o marido de “nosso líder”, disse que ele considera este um “momento de união”, sem atribuir a integrantes do grupo a responsabilidade pelo resultado das urnas.

Michelle também saiu em defesa de nomes que passaram a ser alvo de críticas após a eleição, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a senadora Damares Alves, o deputado Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia. Segundo ela, notícias que atribuem ao ex-presidente ataques a esses aliados não correspondem ao conteúdo das conversas entre os dois.

O apelo à unidade sucede uma campanha em que Michelle evitou compromissos públicos ao lado de Flávio. Conforme mostrou a CNN Brasil, a ex-primeira-dama manteve no segundo turno o distanciamento observado no primeiro, concentrando sua atuação no Distrito Federal e no apoio à reeleição de Celina Leão (PP). Houve gravação de material eleitoral com o enteado, mas a aproximação diante das câmeras não se traduziu em uma agenda conjunta de palanques.

Na véspera da votação, em 24 de outubro, Michelle participou de uma caminhada com Celina em Brasília. O ato também teve manifestações favoráveis à candidatura presidencial do PL, mas Flávio não estava presente. A ausência da ex-primeira-dama nos eventos do candidato provocou reclamações de aliados durante a disputa, segundo a Folha de S.Paulo.

O desgaste entre os dois tinha como um dos principais motivos a articulação do PL no Ceará. Michelle se opôs ao apoio a Ciro Gomes (PSDB) e defendeu a candidatura de Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual, enquanto Flávio e o deputado André Fernandes apoiavam a composição com o ex-ministro.

A divergência ultrapassou a discussão partidária. Em manifestações públicas, Michelle acusou o enteado de tratá-la de maneira ríspida e de não procurá-la antes de se posicionar sobre o impasse. A crise expôs a dificuldade da família Bolsonaro de conciliar interesses eleitorais e preservar uma imagem de unidade, conforme o histórico publicado pela CNN Brasil.

Agora, ao transmitir uma mensagem de conciliação em nome do marido, Michelle procura conter a troca de acusações entre aliados. A defesa da união, entretanto, ocorre depois de uma campanha na qual o próprio relacionamento entre ela e o candidato derrotado esteve entre os sinais mais visíveis de divisão do grupo.

Tags

Gostou? Compartilhe!