A Polícia Federal identificou 74 ligações telefônicas entre o senador Jaques Wagner (PT) e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, investigado por suposta fraude financeira bilionária. Detalhes das apurações da PF envolvendo o ex-líder do Governo no Senado foram divulgadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, nesta quinta-Feira (30), com a retirada do sigilo das investigações. Foram apontadas 74 chamadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando mais de cinco horas e meia de conversas. Informações do IG
O envolvimento de Jaques Wagner com o caso Master se tornou público em 18 de junho, quando o senador foi alvo de busca e preensão da PF, no âmbito da Operação Compliance Zero. Logo em seguida, ele deixou a liderança do Governo no Senado. Saiu negando as suspeitas.
O senador foi apontado como articulador político em benefício do banco de Vorcaro em matérias que tramitavam no Senado, como a ampliação da margem para as pessoas tomarem empréstimo consignado. Em pagamento, Wagner teria recebido, de acordo com as apurações, um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador (BA) e repasses de R$ 3,5 milhões para empresas de familiares.
Vinhos caros e reuniões no gabinete
Além das ligações, o inquérito também aponta brindes caros oferecidos por Augusto Lima, incluindo garrafas de vinho de R$ 2.5 mil a R$ 5.3 mil, para Jaques Wagner e para os também petistas, o ex-governador da Bahia Rui Costa e o atual, Jerônimo Rodrigues, além de Bruno Reis, prefeito de Salvador, ACM Neto e Antônio Rueda, todos do União Brasil. Costa, Reis, ACM Neto e Rueda não são investigados pela PF no inquérito que perdeu o sigilo nesta quinta-feira.
A PF também identificou agendamento de uma série de encontros entre Jaques Wagner e Augusto Lima, no gabinete do parlamentar, sendo que um desses encontros teria contado com a participação de Jorge Messias, Advogado-geral da União, que foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mas teve indicação rejeitada pelo Congresso. Messias nega o encontro.
O que diz o senador Jaques Wagner
O iG entrou em contato com a assessoria do senador Jaques Wagner. Por meio de nota, o senador afirma “ter “certeza de que vai provar sua inocência” e que está “tranquilo, com foco voltado para as eleições de outubro”.
Wagner defende ainda que “as instituições responsáveis precisam ter liberdade para atuar.
“A Polícia Federal que faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público; que o Ministério Público avalie e o magistrado vai julgar. Estou tranquiloSenador Jaques Wagner



