Brasília, 27/06/2026

PT acusa Flávio de traição após carta de Rubio: “Candidato de Trump”

carta do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) motivou uma nova ofensiva do PT nas redes sociais nesta sexta-feira (26). Lideranças do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a acusá-lo de traição após a correspondência revelar que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ofereceu uma equipe de transição à disposição dos Estados Unidos caso vença as eleições presidenciais de outubro deste ano.Informações da CNN.

mobilização petista tem o objetivo de explorar a rejeição ao presidente americano, Donald Trump, e reforçar o discurso de defesa da soberania encampado pelo presidente Lula nos embates com o chefe da Casa Branca.

O ex-ministro José Dirceu disse que a carta de Rubio é uma “confissão” de que a campanha de Flávio estará conectada aos interesses de Trump e acusou o senador de “traição à pátria”.

“O Flávio Bolsonaro é o candidato do Trump. Essa carta é a confissão de que ele está se transformando num candidato do Trump e vai colocar a sua campanha conectada aos interesses norte-americanos e com interferência americana nos assuntos internos no Brasil. Dependência política de um país a outro significa dependência econômica, tecnológica, militar. Significa esse país se apoderar das riquezas do outro e da sua liberdade. O que o Flávio Bolsonaro está fazendo é traição. É traição à pátria”, escreveu Dirceu.

Já o secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, afirmou que a carta de Rubio a Flávio Bolsonaro revela um “nível de entreguismo assustador”.

“O candidato a presidente é Flávio ou é Trump? Porque, ao oferecer a possibilidade de o governo norte-americano participar da equipe de transição, o que Flávio está dizendo é que ele não será presidente. Ele vai delegar a um governo estrangeiro”, escreveu Valadares nas redes sociais. “É uma vergonha para o país, uma vergonha para a eleição. É uma vergonha até mesmo para a direita brasileira esse nível de entreguismo do senhor Flávio Bolsonaro”, completou.

A carta de Rubio, datada de 23 de junho, foi uma resposta a uma correspondência de Flávio na qual o senador pediu que o governo Trump não impusesse tarifas de 25% aos produtos brasileiros. O secretário, por sua vez, reforçou a posição norte-americana em defesa da aplicação das taxas.

No mesmo documento, Rubio faz menção às eleições brasileiras, citando o “otimismo” de Flávio em relação ao pleito e a intenção do senador de colocar uma equipe de transição à disposição dos Estados Unidos, caso seja eleito.

“Os Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável. Registramos seu otimismo em relação às eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para construir uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica para o comércio e os investimentos”, diz trecho da carta.

O secretário também agradeceu o apoio de Flávio à decisão dos Estados Unidos de classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.

Como mostrou a CNN, o Palácio do Planalto avalia que o secretário de Estado dos Estados Unidos tenta “legitimar” Flávio como principal interlocutor do Brasil nas negociações sobre o tarifaço.

Diplomatas ouvidos pela CNN acreditam que Flávio se inscreveu para participar da audiência pública em Washington, no próximo dia 6, como parte desse esforço. Na ocasião, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) discutirá o tarifaço imposto ao Brasil.

Para auxiliares de Lula, o objetivo de Flávio é reduzir o impacto negativo que o tarifaço provocou sobre sua popularidade. Eles também avaliam que os Estados Unidos dão sinais crescentes de interesse na disputa presidencial deste ano.

 

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