Cilas Gontijo – Jornal Opção
A deputada federal e presidente do PT em Goiás, Adriana Accorsi, relatou neste sábado, 11, que sofreu misoginia dentro do próprio partido por parte de pré-candidatos à Câmara Federal por Goiás, que, segundo ela, tentavam retirá-la da disputa pela reeleição. “Queriam me tirar da chapa”, declarou ao Jornal Opção, durante evento voltado às mulheres, em Goiânia.
A parlamentar reforçou que sua decisão de disputar um novo mandato está consolidada e foi respeitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele disse que não ia permitir ninguém violentar a minha vontade. Que a mulher tem o direito de estar onde ela quiser.”
Adriana afirmou que sua pré-candidatura à reeleição foi lançada publicamente no último dia 2 e que não existe mais qualquer possibilidade de disputar o Governo de Goiás. “Eu já tinha tomado essa decisão. Lancei minha pré-candidatura aqui dia 2. Essa decisão já está definitiva, não tem retorno”, afirmou. Segundo ela, o partido já definiu que o nome para a disputa do Palácio das Esmeraldas será o do decano petista Luiz Cesar Bueno.
Ao comentar a pressão que recebeu internamente, a deputada disse que alguns parlamentares pretendiam tirá-la da chapa de candidatos à Câmara para que ela assumisse a candidatura ao governo estadual. Apesar disso, afirmou que sua posição foi acolhida pela direção nacional do PT e, especialmente, pelo presidente Lula.
“Fui tratada com muito carinho pelo presidente Lula. Ele disse que não ia permitir ninguém violentar a minha vontade. Que a mulher tem o direito de estar onde ela quiser. Ele sempre me respeitou. Eu sou vice-líder dele na Câmara e sempre fui respeitada por ele”, declarou.
Embora tenha relatado episódios de machismo, Adriana ressaltou que o PT possui mecanismos que asseguram espaço às mulheres nas decisões internas. “Apesar de ainda existem homens machistas em todos os espaços — nas famílias, na polícia e em todos os partidos —, no Partido dos Trabalhadores nós temos paridade em todas as instâncias. Nós somos ouvidas. E a prova disso é que eu fui ouvida e estou aqui fazendo a minha pré-campanha.”
A parlamentar também rebateu a interpretação de que teria escolhido a reeleição por considerar a disputa à Câmara mais fácil ou mais segura do que uma candidatura ao Governo de Goiás. “Eu fui candidata a prefeita. Não tenho medo de ser candidata. A minha preferência é porque acredito no trabalho que realizo como deputada federal e nos benefícios que tenho levado para Goiás. Sou uma das poucas deputadas da Câmara que atua diretamente no combate ao feminicídio e na defesa dos direitos das mulheres.”
Cenário Nacional
Sobre o cenário eleitoral, Adriana afirmou que a definição do nome do PT para o Governo de Goiás encerra uma das últimas indefinições nacionais da legenda. Segundo ela, a discussão agora se concentra na candidatura ao Senado. “Nós temos muitos nomes para o Senado e essa decisão será construída dialogando com os partidos aliados.”
Questionada sobre renovação política, a presidente estadual do PT defendeu a formação de novas lideranças. “A política precisa de renovação. O PT incentiva isso. Temos mulheres jovens, novos deputados e novas lideranças surgindo. Esse processo precisa acontecer naturalmente.”
Adriana afirmou que mantém boa relação com a vereadora Aava Santiago. “Meu relacionamento com a Aava é muito bom. Somos amigas há muitos anos”, garantiu.



