Brasília, 17/06/2026

TRE-RJ faz recontagem de votos após cassação de Bacellar

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) marcou para a próxima terça-feira (31), às 15h, a sessão de recontagem dos votos para deputado estadual nas eleições de 2022, em cumprimento à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinou a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar.

A decisão foi anunciada pelo presidente do tribunal regional, Claudio de Mello Tavares. Com a cassação, os 97.822 votos obtidos por Bacellar serão anulados, o que deve alterar a distribuição de cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), impactando a composição partidária da Casa.

Bacellar perdeu o mandato após o TSE apontar uso indevido de recursos da Fundação Ceperj com finalidade eleitoral. Na mesma decisão, a Corte também declarou a inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro e do ex-presidente da fundação, Gabriel Rodrigues Lopes.

No âmbito estadual, a presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargadora Suely Lopes Magalhães, anulou a eleição interna da Alerj que havia escolhido o deputado Douglas Ruas como presidente da Casa. A magistrada entendeu que o processo só poderia ocorrer após a retotalização dos votos pelo TRE-RJ, etapa considerada essencial para definir a composição legítima do colégio eleitoral apto a participar da escolha.

Segundo a decisão, a Mesa Diretora da Alerj cumpriu apenas parcialmente a determinação do TSE ao reconhecer a vacância do cargo, sem aguardar a redefinição completa das bancadas. Para a desembargadora, a antecipação do processo eleitoral interfere não apenas na escolha do novo presidente do Legislativo, mas também na linha sucessória do governo estadual.

O cenário político do Rio de Janeiro se agravou após a renúncia de Cláudio Castro, que deixou o cargo visando disputar o Senado e também em meio ao julgamento que resultou em sua inelegibilidade até 2030. Sem vice-governador desde 2025 — quando Thiago Pampolha deixou o posto para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) — a sucessão estadual passou a depender diretamente da estrutura da Alerj.

Bacellar, que ocupava a presidência da Casa e figurava na linha sucessória, chegou a ser preso em dezembro de 2025 durante operação da Polícia Federal que investigava a relação de agentes públicos com o grupo criminoso Comando Vermelho. Posteriormente solto, ele foi afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde então, a presidência da Alerj é exercida interinamente pelo deputado Guilherme Delaroli, que, por estar em condição provisória, não integra a linha sucessória do Executivo.

Com a saída de Castro, o governo estadual passou a ser comandado interinamente pelo presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto de Castro, até que sejam definidas as novas regras e a realização de eleições indiretas para o comando do estado, conforme determinação da Justiça Eleitoral.

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