O advogado Willer Tomaz negou ter participação na AMP Pay, empresa que transferiu R$ 17,7 milhões à Talismã Digital, da influenciadora Virginia Fonseca. A declaração foi publicada no Instagram após a Folha de S.Paulo divulgar que Tomaz havia se apresentado como sócio ou acionista da empresa em um e-mail enviado ao Magnum Bank em 2024, segundo documentos da investigação da Polícia Federal.
Tomaz afirmou que nunca teve vínculo com a AMP Pay e que desconhece seus proprietários. Segundo ele, a lista de empresas que o associou à companhia foi elaborada pelo próprio banco. O advogado disse que excluiu expressamente a AMP Pay do formulário que enviou à instituição. O proprietário registrado da empresa, de acordo com a revista Fórum, afirmou que não conhece Tomaz.
Em entrevista à Folha, o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu o advogado, a quem chamou de amigo, e negou que os dois tenham sido sócios. O senador disse considerar que a investigação contra Tomaz foi usada para tentar atingi-lo durante a campanha presidencial. Segundo a Fórum, ambos são investigados pela PF por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro.
Cinco transferências por Pix
A AMP Pay enviou os R$ 17,7 milhões em cinco transferências por Pix, entre março e setembro de 2024. No mesmo período, a Talismã Digital recebeu R$ 22,4 milhões. Na época, o cantor Zé Felipe também era sócio da empresa de Virginia.
Os repasses constam de relatórios de inteligência financeira examinados pela CPI das Bets e foram revelados pela revista piauí. Na comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o banco classificou as movimentações como incompatíveis com o perfil cadastral da AMP Pay.
Aberta em outubro de 2023 em Itajaí (SC), a AMP Pay declarou capital social de R$ 50 mil e informou atuar na intermediação de negócios e no marketing direto. A empresa aderiu em janeiro de 2024 ao Simples Nacional, cujo teto de receita bruta anual é de R$ 4,8 milhões. O alerta do banco se refere ao volume das transferências. O enquadramento no regime tributário depende da receita bruta da empresa.
União suspende registros de quatro imóveis em Angra
Em outra frente, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) suspendeu temporariamente, na sexta-feira (6), os registros patrimoniais de quatro imóveis na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), ligados à empresa imobiliária de Tomaz. Entre eles está o terreno de uma mansão disputada pelo jogador Richarlison.
A medida foi tomada após representação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) e busca restringir eventuais transferências de posse enquanto a SPU apura possíveis irregularidades nas autorizações de ocupação, concedidas durante o governo Jair Bolsonaro. Segundo a Fórum, um dos pedidos foi autorizado em menos de duas horas. O deputado Rogério Correia (PT-MG) e a organização Quebrando Muros também acionaram o órgão.
A disputa judicial começou em 2020. Richarlison afirma ter investido R$ 10 milhões na compra da mansão por meio de uma empresa da qual é sócio. O jogador acusa Flávio Bolsonaro de ter atuado com Tomaz para afastá-lo do imóvel. O senador nega participação na disputa. Segundo a Fórum, ele visitou a propriedade e foi incluído como testemunha no processo.
Tomaz sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação e afirma que Richarlison negociou com posseiros sem direito sobre o terreno. A matrícula do imóvel já havia sido bloqueada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A SPU também levou em conta as restrições judiciais registradas nas matrículas dos outros três imóveis.
