Sistema i-HEV dispensa recarga na tomada. Em teste de economia, sedã da marca chinesa rodou o equivalente a 45 km por litro, segundo a fabricante.
A chinesa Geely começou a levar à produção em série um motor a gasolina que, segundo a fabricante, aproveita até 48,41% da energia do combustível para gerar trabalho mecânico. O motor integra o sistema i-HEV, que combina propulsão elétrica e a combustão em carros híbridos sem recarga na tomada. Apresentada em abril de 2026, a tecnologia foi detalhada novamente pela empresa em comunicado de 6 de novembro.
O índice de 48,41% é o pico de eficiência térmica do motor. Já o consumo de 2,22 litros por 100 quilômetros, equivalente a cerca de 45 km/l, foi obtido pelo sedã Emgrand i-HEV em um teste específico de economia que, segundo a Geely, rendeu um recorde do Guinness. O resultado se refere às condições daquele ensaio. O consumo no dia a dia varia com o trajeto e as condições de condução.
A Geely afirma que o sistema dá prioridade à propulsão elétrica quando as condições permitem e ajusta, em tempo real, o uso da bateria e da gasolina. A tecnologia foi anunciada para modelos como os sedãs Emgrand e Preface e os utilitários Monjaro e Starray. A montadora prevê levar o i-HEV gradualmente a outros mercados.
O que muda na disputa com os elétricos
A vantagem comercial do híbrido da Geely está em oferecer parte da condução com propulsão elétrica a motoristas que dependem da rede de postos para abastecer. Isso pode favorecer o modelo onde há poucos carregadores ou onde o motorista não tem como instalar um em casa. O teste de consumo mede o desempenho do carro em condições específicas. O efeito sobre o mercado dependerá de preço, oferta e vendas.
Os dados da própria China ajudam a dimensionar a chamada sobre o suposto fim dos elétricos. Segundo a Agência Internacional de Energia, os carros exclusivamente a bateria responderam por quase todo o crescimento das vendas de elétricos e híbridos plug-in no país em 2025. Juntas, essas duas categorias chegaram a quase 55% das vendas chinesas de carros novos naquele ano. A estatística exclui híbridos convencionais como o i-HEV.
No Brasil, a Geely segue por duas frentes
A marca vende os elétricos EX2 e EX5 e anunciou em setembro o início da produção do EX5 EM-i em São José dos Pinhais, no Paraná. O SUV brasileiro usa outro sistema, do tipo híbrido plug-in, com bateria recarregável na tomada. A operação brasileira ilustra como a mesma fabricante está investindo em elétricos e em híbridos enquanto amplia a oferta de motores a gasolina mais eficientes.
Nota de apuração — A primeira versão atribuiu o motor à BYD por engano. A matéria agora trata do i-HEV, que corresponde à descrição de um projeto da Geely com motor a gasolina. Os dados técnicos foram conferidos nos comunicados da empresa. A transcrição do vídeo continuou indisponível.


