O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu que o próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva busque o equilíbrio das contas públicas por meio do combate a privilégios e desperdícios, preservando os programas sociais. Apontado como possível ministro da Fazenda, ele sustenta que responsabilidade fiscal e ampliação das políticas públicas podem caminhar juntas.
Na entrevista ao Estadão, repercutida nesta sexta-feira (30), Fonteles preferiu falar em “equilíbrio fiscal” em vez de “ajuste”. Não apresentou, porém, uma relação de privilégios a serem cortados, estimativas de economia ou medidas concretas para o Orçamento. A declaração indica uma orientação política, sem constituir um pacote econômico anunciado.
O governador relacionou a sustentabilidade da dívida às condições para reduzir juros e estimular o crescimento. Disse também que as promessas eleitorais foram discutidas com a equipe econômica e podem ser executadas durante os quatro anos dentro do arcabouço fiscal.
Entre as iniciativas mencionadas estão o Pé-de-Meia Universitário, a tarifa zero no transporte aos fins de semana e o Prospera MEI. Fonteles não detalhou, na entrevista, o custo de cada proposta nem um cronograma de implantação.
Questionado sobre as contas do Piauí, atribuiu os déficits primários a investimentos financiados por empréstimos. Explicou que essas operações não entram como receita primária, enquanto as despesas realizadas com os recursos entram no cálculo. Defendeu o planejamento de médio prazo para acompanhar a execução dos projetos.
A discussão ganhou relevância porque Fonteles passou a figurar entre os nomes considerados para a Fazenda. Matemático e ex-secretário estadual de Fazenda, ele comandou a pasta piauiense de 2015 a 2022 e presidiu o comitê que reúne os secretários estaduais da área. A Reuters o apontou, ao lado de Geraldo Alckmin, entre as principais alternativas para o ministério.
Parte dos investidores recebe bem seu perfil técnico, mas a possível indicação vem acompanhada de dúvidas sobre a força política que teria para conduzir mudanças nas contas federais. Segundo reportagem do UOL, profissionais do mercado consideram decisivo saber se o futuro ministro contará com apoio de Lula para executar medidas de contenção do endividamento.
A avaliação desses interlocutores é que a experiência estadual favorece Fonteles, mas não basta para antecipar como atuaria no governo federal. O respaldo presidencial e a capacidade de negociar com o Congresso pesariam tanto quanto o currículo do escolhido.
A entrevista foi destacada no boletim da XP, em meio ao acompanhamento das possíveis mudanças na equipe econômica. Essa repercussão mostra o interesse dos investidores por suas posições, mas não comprova que as declarações tenham provocado, isoladamente, alterações na Bolsa, no dólar ou nos juros.
Fonteles, por sua vez, mantém publicamente a posição de que pretende continuar no Piauí. Na quinta-feira (29), reiterou que não havia tratado de cargos ou de política econômica com Lula ou qualquer outro interlocutor e disse desconhecer uma eventual visita presidencial para formalizar um convite. Até o momento das informações consultadas, sua ida para a Fazenda permanecia no campo das possibilidades.


