Brasília, 30/10/2026

Hackers desviam US$ 6,3 bilhões da Binance em 20 minutos

Hackers roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, em um ataque realizado em aproximadamente 20 minutos entre a noite de quinta-feira (29) e a madrugada seguinte. A empresa suspendeu temporariamente os saques e anunciou que utilizará recursos próprios para cobrir as perdas dos clientes.

Segundo o relato baseado em informações da Reuters, o episódio é considerado o maior roubo de criptomoedas já registrado. Empresas de segurança digital identificaram semelhanças com operações atribuídas a grupos ligados à Coreia do Norte, mas a Binance afirmou que sua investigação ainda não determinou os responsáveis.

As primeiras apurações apontam que os invasores podem ter comprometido o notebook de um engenheiro da corretora. O equipamento teria permitido o acesso a um sistema da empresa, de onde partiram transferências não autorizadas para carteiras digitais controladas pelos criminosos.

As companhias americanas TRM Labs e Chainalysis encontraram características semelhantes às do ataque sofrido pela Bybit em 2025, atribuído pelo FBI à Coreia do Norte. O governo norte-coreano nega envolvimento em crimes cibernéticos, e suas representações diplomáticas não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.

A Binance informou que aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos relacionados ao ataque foram localizados ou congelados. Isso não significa, porém, que os valores já tenham sido recuperados e devolvidos à corretora. O destino dos outros US$ 3,3 bilhões permanecia desconhecido.

Entre as empresas envolvidas nos bloqueios estão a Tether, que congelou quase US$ 1,57 bilhão, a Circle, com mais de US$ 800 milhões, e a Ripple, com aproximadamente US$ 200 milhões. A World Liberty Financial, apoiada pelo presidente americano Donald Trump, também participou dos esforços para impedir a movimentação dos recursos.

O co-CEO da Binance, Richard Teng, afirmou na rede social X que os clientes serão integralmente ressarcidos. A expectativa divulgada pela empresa era restabelecer os saques em até 48 horas, enquanto prosseguem a investigação e o rastreamento das transferências.

A corretora mantém um fundo de emergência de US$ 1 bilhão em bitcoin para enfrentar situações desse tipo. Como o montante desviado supera a reserva em mais de seis vezes, a empresa anunciou que recorrerá a outros recursos próprios para compensar o prejuízo.

Com cerca de 335 milhões de usuários registrados, a Binance mantinha aproximadamente US$ 162,8 bilhões em ativos sob sua responsabilidade, conforme seu relatório anual de 2025. O ataque colocou sob pressão a segurança dos sistemas utilizados para armazenar e movimentar esses recursos.

A notícia provocou perdas no mercado de moedas digitais. O bitcoin chegou a US$ 76.368, menor cotação em seis semanas, enquanto o ether recuou mais de 3%, para US$ 2.178. O BNB, ligado à Binance, caiu 5% em 24 horas e atingiu US$ 709,70, segundo a plataforma CoinGecko.

A reação também alcançou empresas negociadas na bolsa americana. As ações da Coinbase, que declarou não ter sido afetada pela invasão, recuaram 4,8%. Os papéis da Strategy, conhecida por manter investimentos em bitcoin, perderam quase 6% nas negociações após o fechamento do mercado.

O episódio amplia a preocupação com a proteção dos ativos mantidos em corretoras. Segundo a TRM Labs, ataques cibernéticos provocaram o desvio de US$ 2,9 bilhões em criptomoedas ao longo de 2025, em quase 150 ocorrências — menos da metade do valor atribuído à invasão da Binance.

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